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sexta-feira, 16 de abril de 2010

F.C.Porto 0-1 Manchester United . O Fim do Sonho


assistência: 50.010 espectadores.

árbitros: Massimo Bussacca (Suíça), Matthias Arnet e Manuel Navarro; Sascha Kever.

FC PORTO: Helton; Sapunaru, Rolando, Bruno Alves e Cissokho; Lucho «cap», Fernando e Raul Meireles; Lisandro, Hulk e Rodríguez.
Substituições: Lucho por Mariano (31m), Rodríguez por Farías (63m) e Sapunaru por Tomás Costa (80m).
Não utilizados: Nuno, Stepanov, Guarín e Andrés Madrid.
Treinador: José Gomes.

MANCHESTER UNITED: Van der Sar; O’Shea, Ferdinand, Vidic e Evra; Anderson, Carrick e Giggs; Cristiano Ronaldo, Berbatov e Rooney.
Substituições: Berbatov por Nani (68m) e Anderson por Scholes (77m).
Não utilizados: Foster, Neville, Evans, Tévez e Macheda.
Treinador: Alex Ferguson.

disciplina: cartão amarelo a Vidic (41m) e Evra (57m).

golos: Cristiano Ronaldo (6m).

Chegou o dia. Finalmente. Mais do que ansiedade, pelo jogo frente ao Manchester, é um sentimento de alívio. Logo mais, pelas 21.30, tudo estará acabado. De uma forma ou de outra. É que isto de ser adepto tem muito que se lhe diga. É uma confidência, em formato intimista. As grandes partidas, as decisões de eliminatórias, os adversários poderosos, funcionam como punhais espetados no meu, já depauperado, sistema nervoso. Sofrimento atroz, comum a muitos de nós, onde o coração bate mais veloz, vendo a bola aproximar-se com perigo das nossas redes…

Não sendo um jogo transcendente, é uma partida importante. Aliás, de enorme relevância. Depois de 2004, cinco anos decorridos, a Europa abriu a boca. De espanto. Esquecidos das proezas das camisolas famosas, ostentando as tradicionais listas verticais, com o azul acasalado com o branco, o Velho Continente mostrou-se, inicialmente incrédulo. O vigente campeão da Europa, o imperante campeão do Mundo, um dos clubes mais ricos do planeta, cedia perante o arreganho de um “pobretanas” vindo dos confins da Europa. Depois da surpresa, veio a admiração. E os elogios, em catadupa.

Porém, num qualquer gabinete com vista esplendorosa, um outrora jogador de renome, remoía mágoas passadas. Crédulo, sentia uma pontada de inveja, ao ler os louvores a jogadores que ele desconhecia. Repisava o que lhe tinham transmitido. Pesou o peso de ambos os clubes. Sorriu de desdém. O campeão luso teria que ser travado. Dentro ou fora do campo, mas não queria ter que, em Roma, a bela cidade repleta das obras dos velhos mestres italianos, entregar a Taça ao capitão de azul e branco. Dormindo mal, nos últimos dias, a ideia tinha passado a obsessão. Depois a pesadelo. Não confiando em absoluto no saber de Ferguson, nem acreditando em demasia nas qualidades técnicas dos rapazes de Manchester, começou a manobrar, à boa maneira siciliana, os meandros futebolísticos.

Assim, se forma subtil, fomos confrontados com erros arbitrais [o penalty sonegado a Hulk, em Old Trafford, enquadra-se na definição de “batota”, monsieur Platini] e com castigos cirúrgicos ao técnico azul e branco, coincidente com a recepção aos diabos vermelhos.

Sabendo isto, é com orgulho, que deveria ser escrito em letras garrafais, que vejo a minha gente, desde o anónimo sofredor adepto até ao vip mais emproado, continuamente a seguir, numa fidelização que escapa aos cânones racionas, o emblema do Dragão. Sabemos quem somos. E o que tivemos que trilhar, para chegar aqui.

O apito inicial do árbitro mostrou um Manchester United num 4-4-2- dinâmico. Carrick e Anderson como dupla de pivôs, permitindo depois um quarteto perigoso, bem aberto na frente de ataque. Giggs, pese a veterania, um perigo à solta no flanco esquerdo, com Ronaldo a procurar desempenhar o mesmo papel no lado oposto. E depois, um duo que equivalerá, por certo, a todo o orçamento portista. Carrick e Anderson [que saudades, miúdo], recuados no meio-campo, procurando servir de tampão naquela zona nevrálgica. Os red devils diziam ao que vinham. Para atacar. Sem contemplações.

O Porto apresentou-se ao seu público no esperado esquema táctico, resguardando-se do ímpeto inicial do adversário. A zona central, mercê da movimentação colectiva do campeão inglês, parecia tentadora, antevendo-se uma potencial exploração dos comandados de Jesualdo.

Mas, ironia do destino, foi precisamente por ali que surgiu o balde de água fria. Ronaldo, deambulando por áreas fora da sua zona de jurisdição, qual vagabundo milionário, puxou do galardão que o transforma no melhor do Mundo. Uma nesga de espaço, um pontapé portentoso e a estirada de Helton a revelar-se infrutífera.

Inverteram-se os papéis. Tal como na 1ª mão, era a equipa forasteira que se adiantava no marcador. O Porto não se desuniu, subindo as linhas, numa procura pela igualdade que, sabia-se, nos conferia o passaporte para o sonho.

É mais fácil dizê-lo do que fazê-lo. Rodriguez, que se juntava a Lucho e Meireles quando o Manchester atacava, era a imagem do inconformismo. O Porto apresentava-se perante uma tarefa hercúlea. Atacar, com agressividade, mas sem conceder espaços a opositores credenciados. Numa partida disputada taco-a-taco, com os espartilhos tácticos e as marcações cerradas a imperarem, perante o virtuosismo e o rasgo de imprevisibilidade, os Dragões quase só criaram perigo de bola parada. A equipa estava lenta, amorfa, sem a necessária criatividade.

Bruno Alves ainda fez sonhar o anfiteatro, quando desferiu remate similar ao que resultou em golo, frente ao Amadora. Pouco depois, na marcação de um canto, o capitão portista impôs-se nas alturas, rematando com perigo. Era pouco. Sentia-se que, desta forma, o Manchester manteria o controlo do encontro, sem grandes dificuldades.

Numa noite de chuva copiosa, parecendo que a abertura das comportas celestiais era uma espécie de castigo divino, El Comandante caiu. Lesionado. Mariano, imagem da abnegação, entrou para o seu lugar. O intervalo chegou, trazendo com ele a sensação de frustração. O azedume por, mesmo longe de repetirmos a exibição de Manchester, estarmos a perder com quem pouco mostrou. São estes os desígnios de um jogo que nos apaixona, vicia e alimenta.

A segunda metade foi uma espécie de cópia da primeira. Jogada com coração, mas faltando algo. Uma espécie de acendalha que alimentasse a revolta. O jogo tornou-se confuso, com algumas picardias. O ataque portista era feito com pulmão. Rodriguez ou Hulk. Colectivamente, estávamos manietados, incapazes de pressionar um adversário que se limitava a aguardar.

Jesualdo arriscou, fazendo entrar Farias, por troca com Cebola. O relógio avançava de forma inexorável, tornando-se o pior inimigo.

Olho, pela enésima vez, para o relógio. Faltam 4 minutos. Poucos. O nó na garganta teima em não desaparecer. 3 minutos. A bola ronda perigosamente a área de Van der Sar. A respiração fica suspensa, vendo o couro no ar, interrogando-me onde o mesmo cairá. A angústia é uma tortura. Física. Que me põe doente. Comemoro por antecipação, quando Licha remata em boa posição. É o desejo a falar mais alto. O guardião holandês sustêm o esférico.

2 minutos. Um breve suspiro de alívio, exalando o ar. Bola junto à relva, na nossa posse. Segundos cruciais, que se perdem. O apito do árbitro. Recomeça a partida. Cada investida adversária vista com fatalidade. Cada corte dos nossos comemorado em surdina, agradecendo a Deuses desconhecidos. Dentes cerrados. Acredito num milgare. Faço promessas patéticas. Quero a bola anichada nas redes. Quero comemorar.

1 minuto. Não consigo estar sentado. Tenho o estômago revolvido. Procuro engolir. Tarefa hercúlea. Dói-me tudo. O meu antídoto está ali, à distância de um apito. Praguejo, perante o olhar complacente da esposa. A placa com o tempo de descontos foi o motivo de nova explosão de cólera. O tempo avança, célere, como se troçasse de mim. De nós. De todos que comungam desta forma de vida.

Pareço um daqueles miúdos hiperactivos. Levanto-me. Vou até à varanda, olhos colados ao ecrã. Volto a sentar-me. Aliso a roupa. Passo a mão pelos cabelos, já em desalinho. “Caralho, o sonho não pode acabar assim”. O pensamento – o único pensamento – martela-me a cabeça. Acabou o tempo de descontos. O juiz, como se imbuído de uma tarefa inquisitória, prolonga até ao limite do suportável o desfecho da eliminatória. Não aguento. Fecho os olhos. Abstraio-me de todos os sons. Só me interessa aquele. O que nunca ouvirei. O bruáaaa da multidão enlouquecida, comemorando o empate.

PRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII. Não cedo à tentação. Recosto a cabeça. Deixo-me estar assim. É uma derrota amarga. Seria fácil baixar a cabeça e deixar o desespero invadir a mente. Mas não. Lutamos. Bravamente. Numa correlação de forças díspares, podemos afirmar, com orgulho, que caímos de pé. Com a cabeça bem levantada. Mostramos a nossa força. Assustamos muita gente. E isso, afinal, faz-me sorrir. E cantar…

Oh, meu Porto, onde a eterna mocidade
Diz à gente o que é ser nobre e leal.
Teu pendão leva o escudo da cidade
Que na história deu o nome a Portugal. Oh, campeão, o teu passado
É um livro de honra de vitórias sem igual
O teu brasão abençoado
Tem no teu Porto mais um arco triunfal
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto
Quando alguém se atrever a sufocar
O grito audaz da tua ardente voz
Oh, Oh, Porto, então verás vibrar
A multidão num grito só de todos nós
Oh, campeão, o teu passado
É um livro de honra de vitórias sem igual
O teu brasão abençoado
Tem no teu Porto mais um arco triunfal
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto


Análise final: Será fácil cair na crítica negativa, face à real incapacidade demonstrada hoje pelos Dragões. Compreendo quem o faça. Eu não sigo por aí. Estivemos perto, bem perto, de alcançar um feito que, não sendo inolvidável, nos colocava bem perto do Olimpo. As derrotas, todas elas, trazem sempre algo de positivo atrelado. O Porto alegre, eléctrico, pujante e dominador, da semana passada, não subiu hoje ao relvado.

Pese o sabor amargo na boca, sinto que esta equipa, este plantel, este treinador, deram tudo o que podiam, prestigiando um emblema secular. Atravessado o pior momento da temporada, com a colecção de 3 derrotas consecutivas a colocar a equipa perigosamente à beira do abismo, a inflexão em alguns processos tácticos e o crescimento e maturidade adquirida pelos jogadores, colocaram os Dragões nos trilhos. De uma época que poderá ser histórica, com a conquista do tetra e da Taça.

Esta derrota mostrou, um pouco por todo o lado, a capacidade inigualável, em solo nacional, de um clube sempre debaixo de fogo. A luta briosa a que se assistiu, em 180 minutos, frente ao colosso inglês, ajudou a colar os fragmentados pedaços do orgulho lusitano, tão fragilizado depois de sucessivas campanhas desastrosas dos rivais lisboetas. Continuamos a ser respeitados na Europa. Pelo que somos. Platini suspirou, por certo, de alívio, ao receber a notícia da nossa eliminação.

Mas também ele, tal como muitos jornalistas da nossa praça, sente lá no fundo uma pontinha de admiração. Por quem apresenta, ano após ano, esta incrível capacidade de sobrevivência. Perdemos? Sim, é um facto. Mas obrigamos os milionários a vestirem a roupa de trabalho. Emudecemos, por dias, o riso fácil e bonacheirão de Ferguson, aburguesado no trono endinheirado em que se reformará.

E, mais importante, para o ano, lá estaremos. A jogar. E a fazer sonhar este imenso clã, uno na defesa do seu ideal. O futuro é já a seguir. E será azul e branco.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Manchester United 2-2 F.C.Porto . Ferguson que rico sorteio hein?!


assistência: --- espectadores.

árbitros: Konrad Plautz (Áustria), Bernhard Zauner e Armin Eder; Thomas Einwaller.

MANCHESTER UNITED: Van der Sar «cap.»; O’Shea, Vidic, Evans e Evra; Carrick, Fletcher e Scholes; Park, Rooney e Cristiano Ronaldo.
Substituições: Park por Giggs (58m), Scholes por Gary Neville (72m) e Evans por Tavez (72m).
Não utilizados: Ben Foster, Nani, Macheda e Eckersley.
Treinador: Alex Ferguson.

FC PORTO: Helton; Sapunaru, Rolando, Bruno Alves e Cissokho; Fernando, Lucho González «cap.» e Raul Meireles; Lisandro Lopez, Hulk e Rodríguez.
Substituições: Raul Meireles por Tomás Costa (79m), Rodríguez por Mariano González (80m) e Tomás Costa por Madrid (90m).
Não utilizados: Nuno, Stepanov, Sektioui e Farías.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

disciplina: Cartão amarelo a Bruno Alves (75m) e Helton (90m).

golos: Rodríguez (4m), Rooney (15m) e Tevez (85m) e Mariano González (89m).


Se é verdade que o sonho comanda a vida do homem, então, deixem-me sonhar, porque quem, como o FC Porto, joga em Old Trafford, de olhos nos olhos, o jogo pelo jogo, ambiciosa, sem medos ou receios de qualquer outra espécie, e acima de tudo, sem mudar o seu esqueleto táctico de origem, o 4x3x3, como se estivesse a defrontar um qualquer menor oponente, tem naturalmente direito ao sonho e muito mais.

Nada ainda está ganho, é verdade, restam ainda 90 minutos de muito sofrimento, mas quem como eu, partilha desta paixão imensa, direi até que estúpida e mentalmente incontrolada e exacerbada, por este clube que tanto nos enche de orgulho, só tem mesmo é que acreditar nos “nossos meninos”, os verdadeiros e únicos fazedores de sonhos!

O poderio “bélico” do adversário, por sinal, apenas e só, os actuais campeões europeus e mundiais, era por demais conhecido e reconhecido, no entanto, não deixava de ser verdade que o FC Porto, nas 3 eliminatórias disputadas até hoje com os de Manchester, guardava melhores recordações, tendo saído vitorioso em duas delas (1977/78 e 2003/04) e eliminado por uma única vez (1996/97). Em jogos, 2 vitórias para cada lado e 2 empates.

Mas como o futebol jamais será considerada uma ciência exacta, para ser apenas e só, 11 jogadores que se perfilam de cada lado da barreira em busca do melhor resultado possível, muitas das vezes, uma luta titânica entre os “Davides” e os “Golias”, acabado o jogo com um empate a duas bolas, fica na retina, mais até que as soberbas exibições individuais de alguns dos “nossos meninos”, a clara e inequívoca demonstração de enorme qualidade dos comandados do Prof. Jesualdo Ferreira.

E porque falo neste último, não posso deixar de dizer que, na minha opinião, o Prof. Jesualdo Ferreira conquistou definitivamente o estatuto de treinador da «europa», deixando de ser apenas um bom treinador para consumo interno. Talvez, quero acreditar que sim, os erros cometidos no inicio das suas aventuras pela nata do futebol europeu, tiveram o condão de o obrigar a correcções basicamente do foro mental que lhe permitem hoje, mostrar outra tarimba mais própria de quem quer ser definitivamente considerado de «super» e com isso, perder o rótulo de «normal». Por todas as dificuldades que teve que vencer com um inicio de época para muito reflectir, para quem teve (e continua a ter!) que aguentar com a desconfiança da massa «assobiativa» que vê nele um limitado e pouco competente e lhe fez inúmeras vezes o enterro (alguém hoje se lembra de pronunciar o nome de um qualquer Carlos Azenha?), para quem teve que sozinho enfiar a vestimenta de justiceiro na praça pública na defesa do FC Porto, para quem (mais uma vez!) teve que ensinar e moldar desconhecidos à sua maneira e estilo (Fernando, Cissokho, Hulk, entre outros), peço desculpa pela ousadia das minhas palavras, mas pela minha parte, e porque estou à vontade para isso, porque nunca fui um seu adepto incondicional, apesar de há muito o respeitar e admirar, só quero deixar aqui registada uma palavra: Professor, muito obrigado!

Depois, Fernando, um “miúdo” enorme, imenso, simplesmente fabulástico com uma exibição de calibre europeu, para não dizer planetária… o “miúdo” secou literalmente tudo o que se mexia no seu raio de acção, ora a subir no terreno, a recuar no apoio à defensiva, a fazer inúmeros cortes no ataque adversário que a determinada altura, até perdia a conta, simplesmente, uma exibição FABULÁSTICA. Alguém mais se lembra do (peseteiro) Paulo Assunção?

Outro que merece uma nota de grande destaque, é Cissokho, mais um “miúdo” que ainda há 6 meses atrás, jogava na 2ª divisão de França, sem ninguém saber sequer da sua existência, com uma passagem por Setúbal de intermeio e hoje, a ver-se na alta rotação do futebol europeu, com as cores listadas do FC Porto. Sempre é verdade que os sonhos podem ser realizados, este, é mais um desses casos. E se pensarmos que não deixou em 90 minutos de futebol, o proclamado “melhor jogador do mundo” (como sempre digo e não me canso de repetir, um verdadeiro flop, com o selo de produto made by Mc Donald’s), pisar em ramo verde, direi que não é para qualquer um, dando ao mesmo tempo, um equilíbrio táctico à equipa que não existia antes da chegada deste.

Por fim, e para finalizar as minhas avaliações individuais, dizer que o Bruno Alves é, para mim, e demonstrou-o ontem mais uma vez com toda a sua classe, tranquilidade e sentido posicional, apesar do tremendo e enorme erro que deu origem ao golo do empate a uma bola para os da casa, um dos melhores centrais a nível mundial, com lugar em qualquer equipe de mundo. Só um Bruno Alves como este, suportaria nas suas costas, e da forma como o demonstrou inequivocamente ao longo de todo o resto do jogo, o erro que nestas competições, costumam ser catalogadas de «morte do artista». Bruno Alves, é enorme e tem o meu apoio a 101%. Quem nunca errou, que atire a primeira pedra…

Quanto ao jogo jogado, direi que a entrada do FC Porto em jogo, com muita maturidade e uma grande segurança, rapidamente colocou em sentido os de Manchester, que nitidamente, e como já vem sendo hábito, não nos pretendeu respeitar, quase que avisando de antemão, que este jogo, eram favas contadas… mais uma vez, saíram trocadas!!

Fruto desta entrada em jogo sem receios, como que jogando na Trofa, na Amadora ou em Vila do Conde, logo aos 4 minutos de jogo, Rodríguez fez balançar as redes para o FC Porto, inaugurando o marcador e levando ao rubro os cerca de 3.000 adeptos Portistas que se encontravam no Teatro dos Sonhos. Se já antes desse momento, Van der Sar se tinha mostrado a um remate de Lisandro, continuo mesmo depois do golo madrugador a mostrar atenção única, já que o jogo, tinha sentido único… e para surpresa, na direcção errada ao que seria suposto antes do jogo se iniciar.

Estava o jogo nesta toada, e eis que, Bruno Alves comete um erro gravíssimo e ao procurar atrasar a bola para Hélton, isola Rooney que perante Helton, fez o que se pede a um avançado, empatando a partida a uma bola. Pensar-se-ia que o FC Porto, a sua defensiva, iria tremer perante esta infelicidade de um dos nossos jogadores (mais uma! já noutros, tinha sido o Helton…), mas enganou-se redondamente, com o FC Porto a conseguir manter o domínio do jogo, ainda que a espaços, os da casa se abeirassem da nossa defensiva com maior frequência. O intervalo chegou com um empate a uma bola.

Para a parte complementar da partida, o Manchester tentou de certa forma “cair” em cima do FC Porto logo na entrada, mas foi sol de pouca dura, passe a expressão, pois rapidamente retomamos o controlo do jogo e continuamos no assalto à baliza adversária, demonstrando ao poderoso campeão inglês, europeu e mundial, que não estávamos ali para ver a banda passar, discutindo o resultado taco a taco e proporcionando um jogo aberto e entusiástico a todos os que o estavam a assistir, com ambas as equipas sempre na procura do golo e consequente vantagem no marcador.

Na passagem do quarto de hora, Helton mostrou que desta vez, não seria por ali que ia acontecer barracada, respondendo com duas fabulásticas defesas a uma fase de maior aperto dos da casa, segurando a igualdade e dizendo “presente” à restante equipa, que bem agradeceu.

Superada esta fase mais crítica de jogo, e com nova cavalgada para cima da defensiva de Manchester, passou Van der Sar a ser o inimigo público nr. 1 dos avançados portistas, Hulk e Lisandro, respondendo também “presente”, com defesas fantásticas a segurar a igualdade. Contudo, estes dois lances tiveram o condão de voltar a impor respeito e porque não até dizê-lo, medo aos da casa que rapidamente se procuraram agrupar e não partindo desenfreadamente para o ataque, descurando a sua defensiva que a qualquer momento, poderia ser desfeita, qual manta de retalhos, pelas diabrites do nosso tridente ofensivo, onde Rodriguez também participava muito activamente.

Quando já se aproximava o final da partida, o argentino Teves furtou-se ao aperto de Rolando, num lançamento de linha lateral, onde Rooney de calcanhar coloca a bola a jeito deste desfeitear Helton que nada podia fazer… estava colocada a injustiça no marcador, perante toda a demonstração de classe do FC Porto no terreno do todo-poderoso, Manchester United. Um autêntico balde de água fria!!!

Mas qual super-herói da BD, o FC Porto não se deu por derrotado e com 5 minutos de jogo ainda por jogar, não temeu, não vacilou, não esmoreceu, dando uma prova a todos os seus adeptos que com estes, podemos segui-los até ao fim do Mundo, porque mesmo que derrotados, nunca vergaremos sob o peso de uma injustiça, nem tão pouco nos deixaremos jamais de orgulhar dos nossos heróis.

A qualidade, a classe, a alma, a crença, a fé de Dragão, que move mundo e montanhas, ainda lá morava e pairava no Teatro dos Sonhos, onde uma vez, voltou a dar frutos em jeito de final feliz, quando Mariano, na queima dos 90 minutos de jogo, tal como em 2003/04, restabelece a igualdade a 2 bolas e assina a letra de ouro, este assomo de sem vergonha com que nos apresentamos em Manchester. Lisandro num último suspiro, pela direita do ataque, coloca a bola na área que vai de encontro ao tal mal-amado argentino, que perante Van der Sar, e quando parecia que a bola ia fugir de mal dominada, não perdoa e dá a estocada final nos «red devils». Foi o final perfeito, o sublime The End para os galácticos de Manchester!

Agora, ainda que partindo em vantagem para a segunda-mão a disputar no Estádio do Dragão no próximo dia 15 de Abril, haverá que recuperar energias, porque mais 90 minutos de sofrimento, muito sofrimento nos esperam a todos nós… uns, como eu, lá no meu Palco dos Sonhos, outros, acompanhando as incidências por outras vias, ainda que com o mesmo sentimento que a todos nos une embrionariamente e orgulha… os “nossos meninos” tratam-nos assim, que fazer?!

MELHOR DO PORTO: Sinceramente, deveria falar num colectivo que esteve perfeito, indomável, intratável, sem vergonha, sem medos, sem receios, com muita classe, categoria, grandeza e tantos quantos mais adjectivos para aqui sejam chamados, mas estaria a ser injusto comigo próprio, se não destacasse, um só que esteve um nadinha a mais acima de todos os restantes… esse, foi Fernando, o fabulástico Fernando… que jogaço, meu deus!!!

ADEPTOS DO PORTO: 70.000 ou 75.000 arrogantes ingleses que foram completamente abafados perante 3.000 fabulásticos adeptos do FC Porto que nunca em momento algum, abandonaram a equipa e a levaram ao colinho até ao supremo gozo do último minuto… o FC Porto é isto, estes adeptos, esta fé, esta crença, esta paixão, este orgulho, este gozo, este prazer, este orgasmo mental que nos tolhe o raciocínio… menos que isto meu caro, se não partilhas de todos estes sentimentos, bem que podes ser adepto do Nacional, GAYvotas ou Calimeros, porque do FC Porto, não serás concerteza! Como disse e repito: o FC Porto é isto!!!

RECADO: O meu recado vai direitinho para o papa-chiclas de Manchester, um tal a que muitos gostam de principescamente tratar por Sir Alex Ferguson, mas que de Sir, não tem nada, senão a habitual arrogância e petulância do ser invejoso e malcriado que pensando ter um killer-instinct de mestre dos mind-games, mais parece um anormal que não sabe o que diz, o que faz, o que pensa. Agora meu caro, continuas ainda a soletrar que o FC Porto “compra títulos no supermercado”? continuas ainda a soletrar que só foste de patins em 2004/05, porque “foste roubado em casa”? Como muitos outros que se julgam “specials”, também tu não passas de um verme rastejante, porque ontem, quem mostrou e demonstrou medo e receio, foste tu, unicamente tu, quando com pavor do nosso herói da BD, um tal de Hulk, apenas e só um jogador em onze de campo, porque o futebol é e sempre será um jogo de equipa, mudaste sistemas de jogo, mudaste jogadores, mas esqueceste-te de 2 detalhes muito importantes: o orgulho de um clube como o FC Porto, a quem nunca nada foi dado ou oferecido, mas sim, apenas e só, conquistado com muito sangue, suor e lágrimas, mas também, porque o tal Hulk, é apenas um entre onze, e foram esses tais outros dez que te fizeram no final do jogo, corar de vergonha e engolir a chicla em seco. Tal como a outros a quem vou mantendo o meu ajuste de contas diário (porque será que me lembrei ontem dele? onde será que ele terá visto o jogo? na tv?), a ti, também o vou mantendo actual… no dia 15, voltaremos a falar do assunto.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Sorteio dos Quartos Final UEFA Champions League

Jogos:
Villareal - Arsenal
Liverpool - Chelsea
Barcelona - Bayern

1ª mão a disputar a 7 e 8 de Abril
2ª mão a disputar a 14 e 15 de Abril

Meias-Finais:
Vencedor do M.United-FCPorto VS Vencedor do Villareal-Arsenal
Vencedor do Barcelona-Bayern VS Vencedor do Liverpool-Chelsea

1ª mão a disputar a 28 e 29 de Abril
2ª mão a disputar a 5 e 6 de Maio

Final:
Vencedor do (Barcelona-Bayern vs Liverpool-Chelsea)
VS

Vencedor do (M.United-FCPorto vs Villareal-Arsenal)

Jogo a disputar a 27 de Maio em Roma

quinta-feira, 12 de março de 2009

Isto sim, já estámos nos Quartos de Final

assistência: 46.509 espectadores.

árbitros: Pieter Vink (Holanda), Arie Brink e Wilco Lobbert; Hendrikus Nijhuis.

FC PORTO: Helton; Sapunaru, Rolando, Bruno Alves e Cissokho; Lucho «cap», Fernando e Raul Meireles; Lisandro, Hulk e Rodríguez.
Substituições: Sapunaru por Tomás Costa (83m), Hulk por Mariano (89m) e Lisandro por Farías (90m).
Não utilizados: Nuno, Stepanov, Sektioui e Andrés Madrid.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

ATLÉTICO DE MADRID: Leo Franco; Perea, Pablo Ibáñez, Ujfalusi e Antonio López; Maxi Rodríguez «cap», Paulo Assunção, Raul Garcia e Simão; Pongolle e Aguero.
Substituições: Maxi Rodríguez por Diego Forlán (54m), Raúl García por Maniche (72m) e Pongolle por De las Cuevas (79m).
Não utilizados: Coupet, Pernía, Heitinga e Camacho.
Treinador: Abel Resino.

disciplina: cartão amarelo a Rodríguez (25m), Hulk (67m), Perea (71m), Ujfalusi (75m).


O Atlético de Madrid chegava à cidade invicta em desvantagem. Apesar disso, o optimismo dos adeptos Madrilenos era notório nas reportagens televisivas, até porque nos quinze dias que entremearam as duas mãos dos oitavos-de-final da Champions League, os colchoneros haviam batido o pé aos dois grandes colossos do seu campeonato caseiro, obtendo bons resultados perante o Barcelona e Real Madrid. Pelo que se antevia um Atlético de Madrid diferente do que disputara a primeira mão em casa contra o FC Porto. Era um sério aviso à navegação. Viva o FCPORTO!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Vámos lá!

Convocados:
Guarda Redes: Helton e Nuno
Defesas: B. Alves, Cissokho, Rolando, Sapunaru e Stepanov
Médios: A. Madrid, Fernando, Lucho, R. Meireles e T. Costa
Avançados: C. Rodriguez, E. Farias, Hulk, Lisandro, M. Gonzalez e Tarik
FCPorto - Atlético Madrid, 19H45, SportTv1

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Muito perto

assistência: --- espectadores.

árbitros: Howard Webb (Inglaterra), Peter Kirkup e Michael Mullarkey; Martin Atkinson.

ATLÉTICO DE MADRID: Leo Franco; Seitaridis, Pablo Ibánez, Ujfalusi e António López; Maxi Rodríguez «cap.», Paulo Assunção, Raul García e Simão; Forlán e Aguero.
Substituições: Aguero por Sinama Pongolle (55m), Raul García por Maniche (67m) e Maxi Rodríguez por Miguel (80m).
Não utilizados: Coupet, Pernía, Heitinga e Camacho.
Treinador: Abel Resino.

FC PORTO: Helton; Sapunaru, Rolando, Bruno Alves e Cissokho; Fernando, Lucho González «cap.» e Raul Meireles; Lisandro L
opez, Hulk e Rodríguez.
Substituições: Sapunaru por Pedro Emanuel (79m), Lisandro Lopez por Sektioui (88m) e Raul Meireles por Tomás Costa (90m).
Não utilizados: Nuno, Stepanov, Mariano e Farías.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

disciplina: Cartão amarelo a Raul García (24m), Sapunaru (28m), Lisandro Lopez (60m) e Paulo Assunção (74m).

golos: Maxi Rodríguez (3m), Lisandro Lopez (22 e 72m) e Forlán (45m).



A sensação ficada no final deste jogo no Vicente Calderón, onde acabamos de empatar a duas bolas, em jogo a contar para a primeira-mão dos oitavos de final da liga dos Campeões, é agridoce em dose extra, tamanha foi a superioridade demonstrada em campo ao longo dos 90 minutos por parte dos azuis-e-brancos, onde só a ineficácia atacante (mais uma vez!), não permitiu uma vitória (mais que merecida!) em Madrid que poderia desde já (quase) ter arrumado com as contas da passagem aos quartos-de-final.

Quando o porto marcou eu disse " É golo é goloooooooooooooooooooo! ", foi uma sensação fantástica.

Uma alteração à última hora na equipa titular que o FCPorto se apresentou em Madrid, Sapunaru a titular, mesmo à última hora, em detrimento de Fucile que se ressentiu da lesão, tendo Jesualdo Ferreira escalado, de resto, a equipa habitual.

Força FCPorto!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Atlético de Madrid x FCPorto

Na capital espanhola...!

Convocados:
Guarda Redes: Helton e Nuno
Defesas: B. Alves, Cissokho, Fucile, P. Emanuel, Rolando, Sapunaru e Stepanov
Médios: Fernando, Lucho, R. Meireles e T. Costa
Avançados: C. Rodriguez, E. Farias, Hulk, Lisandro, M. Gonzalez e Tarik

Atlético Madrid - FCPorto, 19H45, RTP1

VEJAM O JOGO EM DIRECTO AQUI NO BLOG A PARTIR DAS 19:00H

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Dia 24 de Fevereiro....

Pois é, dia 24 de Fevereiro vámos jogar na capital espanhola ( Madrid ).

Dados do jogo
Jogo: Atl. Madrid x FC Porto
Dia: 24-02-2009
Hora: 19:45
Local:
Estádio Vicente Calderón
Competição: UEFA Champions League (1/8 Final - 1ª mão)
Transmissão Televisiva: RTP1

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Oitavos de final da Liga dos Campeões

ATLÉTICO DE MADRID - FCPORTO

SPORTING - BAYERN DE MUNIQUE

CHELSEA - JUVENTUS

VILLAREAL - PANATHINAIKOS

INTER DE MILÃO - MANCHESTER UNITED

ARSENAL - ROMA

REAL MADRID - LIVERPOOL

LYON - BARCELONA

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Champions League

Possiveis adversários para o sorteio dos oitavos-de-final no dia 19Dez08:

Inter de Milão, Lyon, Chelsea, Villareal, Real Madrid, Atlético de Madrid e Manchester United.







quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

F.C.Porto 2-0 Arsenal . E estamos em 1º lugar no grupo



assistência: 37.602 espectadores.

árbitros: Kyros Vassaras (Grécia), Dimitris Bozatzidis e Cristos Gennaios; Michail Koukoulakis.

FC PORTO: Helton; Fucile, Rolando, Bruno Alves e Pedro Emanuel «cap»; Lucho, Fernando e Raul Meireles; Lisandro, Hulk e Rodríguez.
Substituições: Lucho por Tomás Costa (78m), Rodríguez por Mariano (78m) e Hulk por Guarin (87m).
Não utilizados: Nuno, Stepanov, Lino e Sektioui.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

ARSENAL: Almunia «cap»; Eboué, Gallas, Djourou e Silvestre; Ramsey, Denilson, Song e Diaby; Vela e Bendtner.
Substituições: Ramsey por Wilshere (59m), Diaby por Gibbs (59m) e Song por Randall (78m).
Não utilizados: Fabianski, Hoyte, Mérida e Simpson.
Treinador: Arsène Wenger.

disciplina: cartão amarelo a Lucho (50m) e Eboué (51m).

golos: Bruno Alves (39m) e Lisandro (54m).


A feijões. Este Porto-Arsenal, pelo apuramento atempado de ambas as equipas, não tinha nenhuma carga emotiva associada. Sim, os mais puristas dir-me-ão que haveria. A vingança. Impressa a fogo, na mente de todos os apaniguados portistas, ainda e sempre aquela tenebrosa noite em Londres. Um Arsenal galáctico, humilhando a seu bel-prazer uns rapazes vestidos com as cores portistas.

Se há algo que aprendi há muito, é que não existe vingança no futebol. Os factos são imutáveis. Perdemos 4-0 na capital inglesa. Ponto. Uma vitória, hoje, no Dragão, nunca mudaria isso.

Não estava nada então em jogo, nesta Liga dos Campeões que ainda não entrou na sua fase decisiva? Estava. Dinheiro. Muito. Prestígio. Algum. E o 1º lugar do grupo.

O Arsenal, mais preocupado com outras lutas, deu descanso a alguns titulares. Importantes. Fabregas, o miúdo-maravilha de Espanha. Adebayor, o orgulho do Togo, avançado mortífero como poucos. Van Persie, cuja juventude esconde a perigosidade do seu futebol rectilíneo. Walcott, a nossa besta negra, a contas com uma lesão.

Nunca escondi que sou um fã da Premiere League. Pela competitividade. Pelo sentido notável de espectáculo. Pelo entusiasmo contagiante de um público que nunca regateia apoio às suas cores. E, desde há muito tempo, os gunners de Londres, sob a batuta de Arsene Wenger, assumiram no seu código genético algo mais do que o desiderato da conquista dos 3 pontos. Jogar bem. Um sentido de diversão, aliado a uma mecanização que os torna uma equipa excitante, na forma como deambulam pelo relvado.

Foi pois, sem surpresas, que o Dragão assistiu a um Arsenal descomplexado, com personalidade própria, capaz de manter a bitola exibicional elevada, criando uma teia que tolhia os movimentos do meio-campo azul e branco.

Os pupilos de Jesualdo, com três retoques na equipa principal, relativamente ao jogo de Setúbal [entrada de Pedro Emanuel para o lado esquerdo da defesa, e de Lucho e Meireles no regresso às posições no centro], sentiram enormes dificuldades, nos minutos iniciais, para se libertarem do espartilho táctico tecido laboriosamente por Wenger.

Com Silvestre adaptado ao lado esquerdo da defesa, mas apoiando de forma regular os movimentos ofensivos da equipa inglesa, os gunners beneficiavam da enorme mobilidade de Ramsey [atenção a este miúdo, contratado esta temporada por uma verba quase obscena, atendendo à idade do petiz], de Vela e de Bendtner para jogarem paulatinamente no último terço do terreno.

O Porto, sem posse de bola, não se desconjuntou. Apercebeu-se que, com os seus tradicionais homens da frente, poderia aproveitar a aparente arrogância britânica. Começou a incomodar, através das diagonais habituais de Lisandro e Hulk, mas dando sempre a ideia de que privilegiava a solidez defensiva, defendendo bem próximo da sua área, incapaz de efectuar uma pressão que lhe permitisse fazer aquilo que mais gosta: roubar bolas e lançar contra-ataques velozes e letais.

E assim, o público presente na gélida noite da Invicta foi assistindo a um jogo interessante, mas sem ocasiões de golo. O Arsenal, tendo a bola, não as criava. O Porto, sem ela, vivia apenas dos comuns raides de Hulk, esticando o jogo até à área de Almunia. Com Lucho, Meireles e Fernando afadigados no acompanhamento dos movimentos de Denilson [produto Made in Brasil, na mesma Selecção de Sub-17 onde Anderson brilhou], de Song e Eboué, os dois sistemas de jogo, antagónicos nas concepções, encaixavam como um puzzle bem montado.

Quando assim é, convencionou-se afirmar que apenas um facto aleatório pode modificar a face do jogo. Ele aconteceu, aos 39 minutos. Canto, do lado direito, cobrado exemplarmente por Raul Meireles. E, como acontece ciclicamente, Bruno Alves a aparecer, de forma imperial, cabeceando com mestria. Estava inaugurado o marcador. Um golo destinado a alterar radicalmente o tabuleiro do jogo. Como comprovou a segunda metade.

Aparentemente, no regresso das cabines, tudo estava idêntico. Aparentemente. O Arsenal, com a falsa sensação de ser o dono e senhor da partida, goleando na posse de bola. E o Porto defendendo com afinco. Mas algo tinha sido modificado. A agressividade. A pressão. A velocidade na transição defesa/ataque.

Três mudanças. Suficientes para dinamitarem totalmente a dinâmica da partida. O Porto foi quase perfeito na adopção da táctica. Lisandro, um predador à solta, neste tipo de futebol, mostrou qual era o caminho. O da violação das redes adversárias. Um soberbo passe de Fernando, isolando o argentino na direita e este, com uma frieza glacial, a fuzilar Almunia. Estava feito o segundo, com Jesualdo a sorrir, ao de leve, no banco.

O Porto tinha, aos 55 minutos, o jogo ganho, o grupo vencido e o adversário aos seus pés. E é aqui que entra o quase perfeito. O Arsenal ficou à mercê. Inteiramente. Preso naquele limbo que o obrigava a atacar, minimizando os estragos, sabendo de antemão que abriria espaços convidativos junto da sua área. Mas na matriz de jogo dos ingleses apenas a palavra ataque aparece sublinhada. O Porto foi então coleccionando oportunidades soberanas de golo. Uma. Duas. Três. Quatro. Adiando o KO. Desperdiçando a oportunidade de humilhação.

Rodriguez, por duas vezes, pareceu um demónio à solta. Uma verdadeira seta apontada à baliza, fazendo alarde de uma velocidade supersónica, pecando no capítulo final: o da finalização. Desenhos geométricos de enorme beleza, estilhaçados no último remate.

Foi pena. Apenas por isso. Um resultado mais volumoso seria, indubitavelmente, mais prestigiante por essa Europa fora. Mas foi o suficiente para terminar a prova com um saldo francamente positivo. 12 pontos. 4 vitórias. 1º lugar no grupo. Chega, não vos parece?

Sem embandeirar em arco, com nova vitória, existe a sensação de dever cumprido. Não com brilhantismo, mas com pragmatismo. Continua actual a máxima de Jesualdo. “Não somos os melhores do Mundo. Mas também não somos os piores”. Podemos [e devemos] fazer mossa, nos oitavos. Sem medos. Sem tolhimentos morais. Sem reservas mentais.

Melhor do Porto: Difícil escolha. Hulk esteve mais complicativo na resolução dos lances, primando por alguma ingenuidade na definição das jogadas. Rodriguez compilou no mesmo manual as suas duas faces. Inconformado, agressivo, dinamitou os flancos, cumprindo na perfeição o papel que Jesualdo lhe destinou. Mas falhou. Redondamente. Duas oportunidades supremas, desperdiçadas ingloriamente. Lucho, melhor fisicamente, aparecei amiúde na zona de finalização, tendo nos pés um ensejo flagrante. Recuperado animicamente, foi um apoio importante na luta no meio-campo. Lisandro, como peixe na água, mostrou que mantém intactas as suas qualidades, apesar da novela da renovação do contrato. Franco-atirador, deixado para trás nas linhas inimigas, semeou o pânico por variadas vezes. Foi feliz numa. De forma merecida. Perfeito na leitura do jogo, merece o título de MVP da partida.

Arbitragem: Sem mácula. Nunca quis ser protagonista, deixando o jogo fluir, intervindo apenas quando necessário.

***
Arsene Wenger tem um aspecto sisudo. Alto, magro, de carnes secas, ostenta um ar sempre fleumático, confundível com um nativo das Ilhas Britânicas. Profissional, destila futebol por todos os poros. Não recebe, de ninguém, lições sobre a arte de bem jogar. Mas, mesmo assim, vive amargo. Falta-lhe algo. Que lhe foge, ano após ano. A Champions, tão brilhante, tão bela, tão sedutora. Já se imaginou, inúmeras vezes, a erguê-la. A sentir o seu peso. A ver a sua imagem reflectida no metal. Por vezes fecha os olhos, sonhando com o dia em que a terá na sua posse. E ri, incapaz de discernir a ténue linha que separa a fantasia da realidade. Hoje, no Dragão, despertou desse “sono da ilusão”. Bateu estrepitosamente com os pés na terra. Acorda, Arsene, nunca a terás nas tuas mãos. E os “olés” de hoje funcionaram, mais do que tudo, como aguilhões cruéis nessa tua bonomia francesa.

Possiveis adversários para o sorteio dos oitavos-de-final no dia 19Dez08:
Inter de Milão, Lyon, Chelsea, Villareal, Real Madrid ou Atlético de Madrid.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Vámos a isto! FCPorto - Arsenal






Convocados: B. Alves, C. Rodriguez, Fernando, Fucile, Guarín, Helton, Hulk, Lino, Lisandro, Lucho, M. Gonzalez, Nuno, P. Emanuel, R. Meireles, Rolando, Stepanov, Tarik S., T. Costa.


FCPorto - Arsenal, 19H45 - SportTv1

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Isto é que foi ... até ja estou a sentir o sabor aos Oitavos!


assistência: --- espectadores.

árbitros: Alberto Undiano Mallenco (Espanha), Fermin Martinez Ibanez e Roberto Alonso Fernandez; José Luis Parada Romero.

Fenerbahçe: Volkan Demirel; Gokhan Gonul, Yasin Çakmak, Edu Dracena e Roberto Carlos; Josico e Emre; Deivid, Alex «cap.» e Ugur Boral; Guiza.
Substituições: Emre por Kazim Kazim (46m) e Gokhan Gonul por Burak Yilmaz.
Não utilizados: Babacan, Vederson, Bilgin, Turaci e Maldonado.
Treinador: Luis Aragonés.

FC Porto: Helton; Fucile, Rolando, Bruno Alves e Pedro Emanuel «cap.»; Fernando, Tomás Costa e Raul Meireles; Lisandro Lopez, Hulk e Rodríguez.
Substituições: Tomás Costa por Guarin (61m), Rodríguez por Mariano Gonzalez (74m) e Hulk por Pelé (79m).
Não utilizados: ...
Treinador: Jesualdo Ferreira.

disciplina: Cartão amarelo a Emre (25m), Fernando (32m), Yasin Çakmak (38m), Ugur Boral (72m), Edu Dracena (86m) e Gokhan Gonul (90m).

golos: Lisandro Lopez (18 e 28m) e Kazim Kazim (63m).
Terminado o jogo, de imediato me lembrei das campanhas de total intoxicação levantadas por alguns «colunáveis» da imprensa escrita e falada, mas não só, pois pela blogosfera, os «anónimos» que corroboravam essa tese e se tinham também eles transformado em arautos da desgraça, eram mais que as mães, tendo-se até chegado ao expoente máximo do ridículo ao catalogar, como se fosse a mais pura e cristalina verdade, que este (actual) plantel seria o “pior” dos últimos 10 anos… a esta hora, todos esses e os outros que os acompanharam nesses dislates verbais, só podem mesmo é caminhar sobre as pedras da calçada, de cabeça cabisbaixa e o rosto coberto de vergonha.

O tal “pior” FC Porto dos últimos 10 anos, chegou a Istambul, decorridas que estavam 4 jornadas da Liga dos Campeões, com a possibilidade de carimbar de imediato os objectivos mínimos, a taça UEFA… em caso de vitória, e com a ajuda do Arsenal a conseguir igual resultado na recepção ao Dínamo Kiev, a passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões ficava automaticamente assegurada. Assim dito, assim conseguido.

O tal “pior” FC Porto dos últimos 10 anos, acabou por vencer o Fenerbahçe por 1-2, com Lisandro Lopez a bisar na partida ainda na 1ª parte, tendo o golo turco sido obtido por Kazim Kazim a meio da 2ª parte, não mais se alterando o resultado até final do jogo.

Provou-se, mais uma vez, que no balneário do tal “pior” FC Porto dos últimos 10 anos, ainda mora a atitude, a raça, a crença, a forma de estar e sentir o clube, o jogar à Porto, mesmo quando não se está bem, de todos aqueles jogadores. Não são os melhores do mundo… mas (para mim) jamais serão os piores do mundo e arredores! Para mim, aqueles ou outros, serão sempre os melhores, basta serem e equiparem com as cores do (meu) FC Porto!

Mas não posso deixar de aqui lançar um ALERTA à nossa SAD para um caso paradigmático de um jogador que transporta toda a «raça» de jogar à Porto. Seu nome: LISANDRO LOPEZ. Este rapaz, enquanto jogador, tem tudo o que o FC Porto tem enquanto clube. Tem raça, tem espírito de sacrifício, tem alma, tem mística, tem crença, defende, ataca, cria, destrói, recupera, avança, cerra os dentes, come a relva, e contudo, não deixa de ser tristonho o modo de festejar nos últimos tempos, os golos que marca, procurando conter-se, quiçá até, em sinal de protesto (sempre silencioso). Outros, com menor carácter, aproveitariam estas oferendas e fá-lo-iam de outra forma menos, muito menos simpática… este, fá-lo, jogando sempre cada vez mais, com mais alma, com mais raça, com mais atitude, para o clube e adeptos, mas sempre à Porto.

Não sou um crítico da SAD, nunca fui e nunca serei, mas não é por isso que deixo de pensar que tudo o que é feito, bem feito é. Por isso, e de uma forma muito construtiva (repito, construtiva!), deixo aqui apenas uma pergunta no ar, em jeito de provocação: de que espera a nossa SAD para renovar o contrato e pagar a este jogador, aquilo que ele merece?

Por fim, e até porque estou completamente à vontade para o dizer e assumir, porque quem me conhece, sabe muito bem que nunca morri de amores pelo nosso treinador, o Prof. Jesualdo Ferreira, esta vitória, esta passagem pelo 3º ano consecutivo aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, esta chapada com o punho bem cerrado, dedico-a à pessoa mais atacada, mais insultada, mais caluniada dos últimos tempos, dentro do (meu) FC Porto… ele próprio, o (meu) treinador, o Prof. Jesualdo Ferreira. Enquanto cá estiver, para o bem ou para o mal, será sempre o meu treinador e apesar das minhas criticas enquanto «treinador de bancada», umas vezes justas, outras totalmente injustas, nunca deixarei, nas horas más, de lhe prestar o meu apoio incondicional e inequívoco!

Agora, vamos mas é ao jogo que é disto que o meu po(b)o gosta. O tal “pior” FC Porto dos últimos 10 anos, entrou em campo com o onze esperado, dadas as ausências certas de Sapunaru por lesão e Lucho por castigo. Pedro Emanuel ocupou a faixa esquerda da defesa, derivando Fucile para a direita, cabendo a Tomás Costa, fazer o papel de Lucho a meio campo.

Iniciado o jogo e ao longo do mesmo, tacticamente, o tal “pior” FC Porto dos últimos 10 anos, esteve irrepreensível, com uma enorme pressão a meio-campo, não deixando o adversário sequer ultrapassar a linha de meio-campo e com isso, obrigando a perdas consecutivas de bola em zonas de perigo na defensiva adversária. Muito inteligentemente, o tal “pior” FC Porto dos últimos 10 anos, foi aproveitando essas deixas para se aproximar com muito perigo da baliza contrária ao longo de todas a 1ª parte, criando diversas oportunidades de perigo iminente.

Eis que à passagem do 19º minuto, em consequência de um pontapé de canto, onde a bola é aliviada deficientemente pela defensiva adversária, Fernando recupera a bola na entrada da área e cruza para Bruno Alves, que depois de uma bela recuperação, cruza novamente para o interior da área onde aparece Lisandro acrobaticamente a aproveitar um deficiente corte do guarda-redes turco e coloca o tal “pior” FC Porto dos últimos 10 anos em vantagem na partida. Num jogo que se previa de enorme dificuldade, tínhamos conseguido o mais difícil, colocar-nos em vantagem.

Os turcos procuraram reagir ao golo portistas, mas pouco mais perigo conseguiam criar do que jogarem um futebol directo onde a defensiva azul-e-branca ia anulando com pouca ou nenhuma dificuldade.

Na aproximação aos 30 minutos da 1ª parte, no seguimento de um lançamento lateral de Fucile para a pequena área adversária, Lisandro ganha a bola e consegue bater ao segundo remate o guarda-redes turco, elevando a contagem para 0-2, o que prognosticava um jogo tranquilo para os azul-e-brancos para o que ainda restava da partida.

Logo de seguida, Tomás Costa surge isolado pela esquerda do ataque e ainda bem fora da área, executa um chapéu quase perfeito ao guarda-redes turco, e digo quase perfeito, porque a bola caprichosamente embate no poste e não entra, perdendo-se a oportunidade de ali matar o jogo.

Chegado o intervalo, os turcos iniciaram a segunda metade do jogo com outra atitude, passando o jogo a desenrolar-se mais no meio-campo portista, sem que isso significasse grande perigo para a baliza defendida por Hélton.

Ainda decorria o primeiro terço da 2ª parte, quando Hulk lançado e isolado pela esquerda do ataque não consegue bater o guarda-redes turco, gorando-se ali nova oportunidade para matar o jogo. Como quem não marca, sofre, os turcos reduzem a partida para 1-2 num lance infeliz de Bruno Alves que ao ver a bota bater na sua perna após remate adversário, faz a bola sobrevoar Hélton que nada podia fazer para anular o lance.

Este golo fortuito e contra a corrente do jogo, teve o condão de despertar e moralizar a equipa turca que continuou a tentar investir sobre a muralha defensiva dos azul-e-brancos, que pareceram momentaneamente acusar o golo sofrido e acusar algum desnorte táctico. Neste momento, o Prof. Jesualdo Ferreira, muito inteligentemente, refrescou o meio-campo, entrando Guarin, Mariano Gonzalez e Péle.

O jogo foi-se então arrastando até ao seu final, com o tal “pior” FC Porto dos últimos 10 anos a conseguir com maior ou menos dificuldade afastar o perigo da baliza defendida por Hélton.

Fim do jogo e o tal “pior” FC Porto dos últimos 10 anos, com duas vitórias fora do seu estádio em solo ucraniano e turco, conjugada com a vitória de ontem do Arsenal sobre o Dínamo Kiev, consegue qualificar-se para a fase seguinte de prova, os oitavos-de-final, deixando para o jogo final contra o Arsenal a decisão de quem fica em primeiro lugar no grupo.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Finalmente!

assistência: --- espectadores.

árbitros: Konrad Plautz (Áustria), Bernhard Zauner e Raimond Buch; Thomas Steiner.

Dynamo Kiev: Bogush; Betão, Diakhate, Mikhalik e Nesmachniy «cap.»; Eremenko, Vukojevic, Ghioane e El Kaddouri; Aliyev e Milevskiy.
Substituições: Ghioane por Bangoura (60m).
Não utilizados: Shovkovskiy, Sabljic, Shatskikh, Cernat, Romanchuk e Zozulya.
Treinador: Yuri Semin.

FC Porto: Helton; Sapunaru, Rolando, Bruno Alves e Pedro Emanuel «cap.»; Fernando, Lucho González e Raul Meireles; Sektioui, Lisandro Lopez e Rodríguez.
Substituições: Sektioui e Hulk (46m), Sapunaru por Pele (68m) e Pedro Emanuel por Lino (78m).
Não utilizados: Nuno, Stepanov, Mariano Gonzalez e Tomás Costa.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

disciplina: Cartão amarelo a El Kaddouri (31m), Pedro Emanuel (57m), Hulk (58m), Rodriguez (84m) e Lucho González (87 e 90m).

golos: Milevskiy (21m), Rolando (68m) e Lucho González (90m).



FCPorto reconquistou a vontade de vencer.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Será que é desta?


Convocados: Bruno Alves, Fernando, Guarin, Helton, Hulk, Lino, Lisandro, Lucho González, Mariano, Nuno, Pedro Emanuel, Pelé, Raul Meireles, Rodríguez, Rolando, Sapunaru, Stepanov, Tarik Sektioui e Tomás Costa


Dinamo Kiev - FCPorto , 19H45 - SportTv 1

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Desgraça total!

21 de Outubro de 2008
UEFA Champions League 2008/2009 (Grupo G – 3ª jornada)

Estádio do Dragão, no Porto
assistência: 32.209 espectadores


árbitros: Terje Hauge (Noruega), Jan Petter Randen e Kim Thomas Haglund; Kjetil Saelen.

FC Porto: Nuno; Sapunaru, Rolando, Bruno Alves e Lino; Lucho «cap», Fernando e Raul Meireles; Mariano, Lisandro e Rodríguez.
Substituições: Fernando por Hulk (46m), Rodríguez por Sektioui (62m) e Mariano por Tomaz Costa (67m).
Não utilizados: Ventura, Pedro Emanuel, Guarín e Farias.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

Dynamo Kyiv: Bogush; Betão, Kiakhate, Mikhalik e Nesmachniy «cap»; Vukojevic e El Kaddouri; Ghioane, Aliyev e Ninkovic; Bangoura.
Substituições: Bangoura por Milevskiy (46m), Ghioane por Eremenko (60m) e Ninkovic por Asatiani (82m).
Não utilizados: Shovkovskiy, Shatskikh, Romanchuk e Zozulya.
Treinador: Yuri Semin.

Disciplina: cartão amarelo a Nesmachniy (32m) e Rolando (65m).

Golos: Aliyev (27m).

É sempre um dia especial. O regresso da prova de elite. Com tudo a que temos direito. A ansiedade crescente. A multidão que se acotovela, na ânsia de entrada no majestoso recinto. O hino que arrepia, na sua lembrança de campanhas épicas. A magia que se solta. É noite de Campeões. Nada mais se lhe compara, no panorama futebolístico actual.

Melhor do FC Porto: Raul Meireles. Primeira parte esforçada, segunda parte a demonstrar o quão equivocado estava Jesualdo, ao conceder o beneplácito da titularidade a Fernando. Meireles dinamizou por completo o meio-campo portista. Recuperou bolas, efectuou passes, manteve a clarividência necessária no desenvolvimento das jogadas de ataque, servindo os interesses do colectivo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Mas que é isto?



30 de Setembro de 2008
UEFA Champions League 2008/2009 (Grupo G – 2ª jornada)

Emirates Stadium, em Londres (Inglaterra)
assistência: 59.623 espectadores


árbitros: Herbert Fandel (Alemanha), Carsten Kadach e Mike Pickel; Helmut Fleischer.

Arsenal FC: Almunia; Sagna, Touré, Gallas «cap.» e Clichy; Walcott, Fabregas, Denilson e Nasri; Van Persie e Adebayor.
Substituições: Van Persie por Bendtner (65m), Nasri por Eboué (65m) e Walcott por Vela.
Não utilizados: Fabianski, Ramsey, Silvestre e Djourou.
Treinador: Arsène Wenger.

FC Porto: Helton; Sapunaru, Rolando, Bruno Alves «cap.» e Benitez; Fernando, Tomás Costa, Guarin e Raul Meireles; Lisandro Lopez e Rodriguez.
Substituições: Fernando por Lucho González (46m), Raul Meireles por Hulk (64m) e Rodriguez por Candeias (79m).
Não utilizados: Nuno, Pedro Emanuel, Stepanov e Lino.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

Disciplina: Cartão amarelo a Clichy (75m) e Tomás Costa (83m).

Golos: Van Persie (30 e 48m), Adebayor (40 e 71m, de g.p.).


O FC Porto regressou esta noite a Londres ao Emirates Stadium para defrontar o Arsenal, em jogo a contar para a 2ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, depois de uma primeira visita em 2006, onde nessa altura fora já derrotado por 2-0, procurando aproveitar esta oportunidade para se redimir de tal resultado.

Chegávamos a Londres na posição de líderes do grupo G, fruto da vitória caseira defronte dos turcos do Fenerbahçe há 15 dias atrás e do empate entre moscovitas (Dinamo de Kiev) e londrinos na casa dos primeiros. Sabia-se de antemão que um empate, a acontecer, poderia ser desde logo considerado um bom resultado.

No entanto, acabamos a sofrer uma derrota bem pesada por 4 golos sem resposta, e pior que isso, com uma exibição miserável, descaracterizada (à excepção dos primeiros 15/20 minutos da 1ª parte) e completamente amorfa dos jogadores azuis-e-brancos que estiveram completamente irreconhecíveis… poderemos queixar-nos (mais uma vez) de falta de sorte em lances no inicio do jogo que a serem concretizados, poderiam ter outras consequências para o resto do jogo, mas também não podemos esquecer que esta noite, estivemos a um muitíssimo pequeno passo de sermos goleados, humilhados e trucidados pelos londrinos, que mesmo sem emprestarem ao seu futebol um alto ritmo competitivo, fizeram gato-sapato dos azuis-e-brancos.

No escalonamento do onze inicial, o Prof. Jesualdo Ferreira reservou algumas surpresas (ou as invenções habituais que mais ninguém entende?) com a entrada de Benítez para o lado esquerdo da defensiva, Tomás Costa e Guarin no reforço do meio-campo e com Raul Meireles a tentar fazer de Lucho na posição 8. À excepção de Tomás Costa, que foi um dos que ainda tentou remar contra a maré ao longo dos 90 minutos, e Lisandro que fez uma primeira parte incansável, de muita luta e garra na disputa de cada lance, todos os outros arranjos tácticos resultaram numa completa e total nulidade com as consequências óbvias no resultado final do jogo.

Não se consegue é perceber como é que ao fim de 2 meses de futebol (pré-época, jogos de preparação e jogos oficiais), ainda não se conseguiu afinar uma base de jogadores em que assente todo o futebol azul-e-branco, assistindo-se de jogo para jogo a mudanças de jogadores que passam de titulares a proscritos e vice-versa… mudanças tácticas do 4x3x3 para 4x4x2 e depois para um 4x1x3x2, sem que os jogadores consigam assimilar qualquer um desses sistemas e até em muitos dos casos, deslocados dos seus habitats naturais, com evidente prejuízo para o futebol praticado… e, pior que isso, presente-se, cheira-se uma deficiente condição física dos jogadores, com Lucho a funcionar como maior exemplo do aqui dito, com uma presença em campo que chegou a meter pena, dó, sei lá mais o quê… bem, adiante.

O que é certo, é que logo no inicio do jogo se percebeu que sem Lucho a comandar as tropas no meio-campo, mesmo até com um meio-campo super povoado, o FC Porto nunca conseguiu controlar minimamente o jogo, deixando que os da casa tomassem a iniciativa de jogo a seu belo prazer. Mesmo com evidentes e naturais dificuldades, dado o poderio do oponente contrário, o FC Porto foi conseguindo num ou noutro momento lançar-se na defensiva contrária.

Num deles, pouco depois dos 10 minutos de jogo, Cristian Rodriguez cabeceou à trave da baliza do Arsenal, depois de um rápido contra-ataque iniciado por Raul Meireles e com Tomás Costa a cruzar para o interior da área. Uma excelente oportunidade perdida de forma inglória.

No entando, e se alguém pensava que o Arsenal se iria amedontrar com este lance, enganou-se redondamente, porque a diferença de velocidade na circulação de bola e desmarcações era por demais evidente, adivinhando-se a qualquer momento lances de grande perigo na defensiva à guarda de Hélton.

Mesmo assim, e já perto da meia-hora de jogo, voltou a ser o FC Porto a estar muito perto de inaugurar o marcador em dois lances consecutivos protagonizados por Lisandro, proporcionando num deles uma excelente defesa a Manuel Almunia e logo de seguida, na sequência de um canto, com a bola a ser afastada in-extremis da linha de golo por um defesa contrários. A partir daqui, estranhamente, e até final do jogo, só deu mesmo Arsenal em todos os capítulos.

Logo de seguida, surge o primeiro golo para o Arsenal por Robin van Persie que já dentro da pequena área e antecipando-se a Rolando depois de servido por Adebayor, inaugura o marcador, fazendo o 1-0 para os da casa. O FC Porto não mais consegue reagir, mantendo-se amorfo, apático, confuso e sem ligação nas jogadas, quando já muito perto do intervalo, Adebayor no seguimento de um canto, salta mais alto que Rolando e cabeceia para golo, fazendo o 2-0.

O jogo chegava ao intervalo com o FC Porto a ter um trio de ocasiões de golo que muito poderiam ter ajudado a um outro desfecho no final dos primeiros 45 minutos, mas onde o Arsenal mostrou ser sempre mais rápido, acutilante e perigoso do que o FC Porto.

No regresso dos balneários, Lucho entra para o lugar de Fernando, começando ali, quanto a mim, o descalabro total, como mais tarde se veio a verificar. Perdeu-se a meio-campo um jogador de cariz mais defensivo que funcionaria como tampão aos ataques londrinos e manteria Fabregas limitado nas suas acções, para se dar entrada de um Lucho completamente irreconhecível, lento, pesaroso e sempre com um esgar de esforço que mais parecia ir desfalecer a cada passada. Na verdade, o que se passa de facto com «este» Lucho? Chamar a isto «gestão de esforço», agora que vimos com os nossos próprios olhos, é brincar com coisas sérias e passar um atestado de estupidez a quem quer acreditar nessa desculpa. A partir dali, passamos a jogar literalmente com 10 ou até bem menos que isso, já que os outros, também pouco mais faziam que figura de corpo presente.

Para piorar toda a situação, ainda os jogadores faziam faziam o aquecimento para os segundos 45 minutos e já o Arsenal aumentava o score para 3-0 por intermédio de Robin Van Pierse que bisava na partida, aproveitando com a maior das facilidades a clara e inequívoca falta de agressividade das zonas defensivas do FC Porto, que mais pareciam um queijo suiço, tamanhos eram os buracos e a passadeira que era estendida a cada ofensiva adversária.

Se já o estava a ser, a partir daqui, foi o descalabro total, pedindo eu, todos nós, e muito principalmente todos os jogadores de azul-e-branco para que o jogo terminasse rapidamente porque o abismo estava a aproximar-se perigosamente e o cheiro a «goleada» começava a pairar na cabeça de todos os que assistiam à partida.

O Arsenal em ritmo de passeio, treino ou lá o que lhe queiram chamar, mas com uma agressividade atacante digna de registo, foi desperdiçando oportunidades consecutivas de elevar a contagem para outros números, algumas delas até de forma escandalosa, com os jogadores do FC Porto completa e totalmente passivos em campo, sem saber muito bem o que fazer.

Para fecho das contas finais, e quando ainda restavam 20 minutos para o final do jogo, Guarin comete infantilmente uma falta clara para grande penalidade (de uma estupidez total a forma de abordagem ao lance que era aparentemente inofensivo, procurando disputar a bola quando entre ele próprio e a mesma, estavam apenas as pernas do jogador adversário), com Adebayor a aproveitar também para bisar na partida, tendo batido Hélton sem qualquer dificuldade e elevando a contagem para uns impensáveis 4-0 no inicio do jogo.

Entraram então na partida Hulk e Candeias que nada trouxeram ao jogo, senão participar nele, suar um pouco para o banho e poderem trocar as camisolas com os adversários no final do jogo.

Até ao apito final, o quinto golo dos londrinos voltou a estar perto, muito perto de acontecer, o que não se veio a confirmar umas vezes por azar… noutras, por pura azelhice dos atacantes londrinos.

Com esta vitória, e após disputadas duas jornadas da fase de grupos, o Arsenal passou para a liderança do Grupo G com 4 pontos, deixando o FC Porto na segunda posição com 3 pontos. Logo atrás seguem Dínamo de Kiev com 2 pontos e em último lugar, os turcos do Fenerbahçe com apenas 1 ponto.

Como mensagem final ao Prof. Jesualdo Ferreira, é bom que arrepie caminho e encontre rapidamente solução para os vários problemas que se arrastam desde a pré-época e que de jogo para jogo se tornam mais evidentes e claros aos olhos de todos nós… não importa de quem é a culpa, mas é bom que a solução para os mesmos surjam rapidamente, até porque o próximo jogo é de grau também elevado, com a visita ao WC XXI para a liga Sagres. O tempo começa a escassear para o treinador, a nossa paciência tb… por isso, toca a arrepiar caminho e rápido, caso contrário, a «malta assobiativa» está prontinha para entrar em acção... a bem, a mal, quer os jogadores gostem ou não gostem, incluindo o próprio treinador Não basta vir pedir via imprensa o apoio dos adeptos (como se houvesse sequer justiça para esse pedido palavras!)... há que fazer por o merecer, e mesmo que caindo, que nunca que não de pé. O visto ontem, foi mau demais para ser verdade e tolerado sem ponta de preocupação... ESTE NÃO É DEFINITIVAMENTE NOSSO FC PORTO, nem de perto, nem de longe.

Melhor do FC Porto: Uma difícil escolha, muito difícil escolha, mas o meu voto vai direitinho para TOMÁS COSTA que foi o único a conseguir ao longo de todo o jogo, mostrar-se sempre um pouco acima do marasmo e nulidade total de jogo dos restantes jogadores azuis-e-brancos. Hélton, quanto a mim, também ajudou e muito a que no final, só se pudessem contabilizar 4 bolas na sua baliza e Lisandro na primeira parte, uma exibição digna de registo pela raça e bravura demonstrada.

Arbitragem: nada a assinalar… bem no capitulo disciplinar e técnico.