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domingo, 13 de janeiro de 2013

Antevisão do Jogo - SL Benfica x FCPorto - Liga Zon Sagres


Vítor Pereira antecipou esta sexta-feira o jogo da Luz, mostrando confiança ilimitada nas capacidades dos seus jogadores. Sem revelar se Izmaylov se poderá estrear com a camisola dos Dragões, o treinador assume que o jogo será "muito complicado para o adversário" e que quer impor o futebol habitual do FC Porto.
 
Izmaylov vai ser convocado para o jogo da Luz?
Vão ter de esperar para ver se Izmaylov é convocado ou não. É um jogador que se enquadra perfeitamente no nosso jogo, muito técnico, com capacidade de decisão, que gosta de ter bola, que se enquadro no nosso jogo de posse, técnico, de talento.

 
Izmaylov teve mais baixos do que altos, isso não o preocupa?
Absolutamenbte nada. Vi Izmaylov a treinar bem, com qualidade. Pelo que vejo, é um jogador motivado, a querer mostrar a sua qualidade.

 
Izmaylov chega em condições de competir?
Se lhe responder já lhe estou a dizer se estou a contar com ele ou não. Izmaylov é um jogador de grande qualidade, que nos vai ajudar e nós também o vamos ajudar a que volte a atingir um grande nível. Pode acrescentar mais qualidade à que já temos.

 
Este jogo vale mais do que três pontos?
Vale três pontos, como valeu três pontos o jogo anterior, com o Nacional. São três pontos que queremos conquistar, tenho a certeza absoluta que não será um jogo fácil para o adversário, apesar de jogar em casa. Será um jogo técnico, acreditamos no nosso jogo, independentemente de ser com A, B ou C, vamos de certeza absoluta de jogar com a nossa identidade, vamos confiantes, acreditamos no nosso trabalho e vamos para conquistar os três pontos.

Jorge Jesus disse que o Benfica tinha a vantagem de estar em todas as competições…
Sinceramente, relativamente a essa afirmação têm de perguntar ao treinador do Benfica, eu pelo menos não conheço o adversário do Benfica na Liga dos Campeões.

 
A ausência de James é um problema?
Não vamos poder contar com o James, infelizmente para nós, que é um jogador de talento. O que nós temos e nos transmite confiança total é a equipa. O essencial é a nossa identidade, jogarmos como queremos, impor a nossa forma de jogar. Sinceramente, não estou preocupado, conto com aqueles que estão em condições de jogar e tenho confiança naqueles que vão jogar no domingo.

 
O empate já será para si um bom resultado?
Nós estamos num clube extremamente exigente, um clube em que o grau de exigência não nos permite pensar em empates. Não estou a ver a nossa massa associativa a receber-nos com aplausos depois de sermos eliminados da Liga dos Campeões. Conheço os objectivos do clube, não podemos ir à Luz nem a lado nenhum com o objectivo de vir de lá com um empate. Sou ambicioso e não vamos alterar absolutamente nada e vamos ser exigentes connosco e assumirmos as coisas quando tivermos de assumir.

 
No ano passado falou em bloqueios, teme que isso volte a acontecer?
Li muitas vezes que o campeonato foi decidido com um golo do Maicon em fora de jogo. Vejo sempre branqueado o jogo de voleibol do Cardozo que nos daria um penalti e os bloqueios que prejudicaram todas as equipas. Agarrar ou impedir movimentos deve ser penalizado. Espero um árbitro atento a essa forma ilegal de conseguir oportunidades de golo. Vou estar atento e se tiver de falar falo, isso de certeza absoluta.

 
Moutinho vai poder jogar?
Têm de aguardar pelo convocatória.

 
A ausência de James altera a forma de jogar da equipa? O FC Porto tem vantagem mental nestes jogos com o Benfica?
Em relação ao James, é um jogador importante, tem muita qualidade, um talento que o diferencia. Por isso é que já é de um nível muito alto, com a idade que tem. Nós valemos pelo colectivo e é com essa forma de trabalhar o jogo que nos apresentaremos na Luz. Pode alterar uma ou outra nuance em termos de movimento, mas nada mais do que isso. Relativamente à questão mental, este jogo vem numa altura, num contexto engraçado. Normalmente quando vamos à Luz, o Benfica está num momento de forma altíssimo, a jogar um jogo espectacular, o melhor em Portugal. Tem sido esse o contexto que nós temos quando vamos jogar à Luz, mas, se calhar por ironia do destino, os resultados são o que são. O Benfica está sempre em grande forma, mas o Porto chega à Luz impõe o seu jogo, o seu futebol e ganha. É mais uma história que se vem repetindo, a avaliar pelas críticas.

 
O que acha de Jorge Jesus? Qual o impacto do jogo em caso de vitória ou derrota?
Reconheço competência e qualidade no trabalho de Jorge Jesus. Já reconheci uma vez que estive mal e fiz uma avaliação em que não fui correcto. Pessoalmente já lhe pedi desculpa por esse momento. Tem a sua ideia de jogo, julgo que é um técnico competente. Estrategicamente estar a antever um cenário que não seja positivo é errado da minha parte. Não posso estar aqui a falar em vitória, em impor o nosso jogo e depois estar a falar no cenário virtual de derrota. Acredito que chegamos à Luz e vamos assistir a um grande jogo, muito complicado para o adversário, isso podem ter a certeza absoluta.



domingo, 6 de janeiro de 2013

F.C.Porto 1-0 Nacional. Jackson pois claro!


FICHA DE JOGO

FC Porto-Nacional, 1-0
Liga, 13.ª jornada
5 de Janeiro de 2013
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 27.109 espectadores

Árbitro: Rui Costa (Porto)
Assistentes: João Santos e Bruno Rodrigues
Quarto árbitro: Carlos Reis

FC PORTO: Helton; Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro; Fernando, João Moutinho e Lucho (cap.); James, Jackson Martínez e Varela
Substituições: James por Defour (46m), Varela por Kelvin (72m) e Lucho por Castro (90m)
Não utilizados: Fabiano, Abdoulaye, Dellatorre e Sebá
Treinador: Vítor Pereira

NACIONAL: Vladan; João Aurélio, Miguel Rodrigues, Mexer e Marçal; Moreno (cap.), Revson e Diego Barcellos; Candeias, Mário Rondon e Mihelic
Substituições: Mihelic por Keita (46m), Revson por Claudemir (55m) e Diego Barcellos por Isael (65m)
Não utilizados: Gottardi, Jota, Edgar Costa e Sérgio Duarte
Treinador: Manuel Machado

Ao intervalo: 1-0
Marcador: Jackson Martínez (24m)
Cartão amarelo: Moreno (53m), Mexer (73m), João Aurélio (88m) e Fernando (90m+1)

 Foi, seguramente, a mais difícil vitória do FC Porto das seis consecutivas sobre o Nacional no espaço de apenas um ano. A primeira razão afere-se facilmente do resultado (1-0) e as restantes decorrem da disposição defensiva do adversário e da exibição do seu guarda-redes. Pelo meio, houve muito mais futebol do que revela o desfecho, selado, de cabeça, por Jackson Martínez.

Com um resultado acumulado de 15-0 a sobressair dos cinco encontros mais recentes com o Nacional, voltar a marcar à equipa madeirense foi, sobretudo, um exercício de paciência, ainda que concluído em menos de meia hora. Mas a persistência portista não jogou sozinha. Com ela, correu também a velocidade e uma qualidade notável quando na posse de bola.

O ritmo da aproximação ao golo foi, por isso, crescente e, entre outras ameaças, um derrube a João Moutinho ficou a dever a correspondente grande penalidade aos Dragões, ainda com dez minutos jogados. Sem stress ou sinais de desespero, o FC Porto retomou a procura, bem sucedida 14 minutos adiante e com Moutinho fora da área. Da marca de canto, o médio português bateu o pontapé perfeito para Jackson Martínez fazer, de cabeça, o seu 11.º golo na Liga.

Da vantagem ao intervalo, perderam-se quatro oportunidades excelentes para ajustar o resultado ao futebol praticado, com Lucho, Danilo, Jackson e James a falharem o golo por pouco e pouco antes do último intérprete da lista de ocasiões abandonar o relvado devido a lesão.

Do recomeço e até das substituições não resultaram alterações significativas. O FC Porto continuou muito mais próximo do 2-0 do que o Nacional do empate, que procurava em raras situações de contra-ataque. Vladan, o guarda-redes da equipa madeirense, assumir-se-ia como a grande diferença, adiando a resolução do jogo antes do fecho.

Depois de negar o golo num remate cruzado de Defour, que entrou para substituir James, Vladan defendeu, no espaço aproximado de um segundo, remates sucessivos do mesmo Defour e de Lucho, encurtando, logo a seguir, o ângulo e a taxa de sucesso à insistência de Jackson Martínez. Mas o golo já estava feito. O jogo foi ganho ao 24.º minuto.



domingo, 25 de novembro de 2012

Antevisão do Jogo - S.C.Braga x F.C.Porto - Liga Zon Sagres


Vítor Pereira não embandeira em arco com as recentes exibições e resultados do FC Porto, mas assume que a equipa está a viver um bom momento. Para o técnico, a visita a Braga (domingo, 20h15) encerra um jogo "extremamente difícil", o que não altera em nada o foco dos Dragões: os bicampeões nacionais vão à Pedreira "com o objectivo claro de vencer a partida". Sem esperar pela sorte.

O FC Porto tem este domingo um jogo muito difícil, enquanto o Benfica joga em casa perante o Olhanense. Sente que o rival tem o trabalho mais facilitado?
Só nos preocupamos com o nosso jogo. O nosso objectivo é claro e passa por ganhar em Braga para nos mantermos na frente do campeonato. Independentemente das expectativas dos outros clubes, queremos chegar a Braga e ser fiéis à nossa identidade e ao nosso estilo de jogo e vamos procurar trazer os três pontos.

Que SC Braga espera encontrar?
Espero um SC Braga de qualidade. Se isto fosse há duas ou três semanas, quem visse os programas desportivos ou lesse os jornais ouvia e via constantes elogios a uma equipa que praticava bom futebol e um futebol positivo. As equipas de Peseiro são assim, gostam de ter a bola e ter a iniciativa. Não acredito num SC Braga diferente para este jogo. Espero um SC Braga de qualidade, num campo que é extremamente difícil, não só para nós, mas para qualquer adversário. Esperamos um jogo complicado, mas acreditamos no nosso jogo e na nossa qualidade e vamos ao AXA com o objectivo claro de vencer a partida.

Considera o SC Braga um efectivo candidato ao título?
Sinceramente, pelo que tem feito nos últimos anos e pelo que tem provado, com resultados, considero que sim.

Acha que o adversário se vai apresentar mais frágil na sequência da eliminação europeia?
Não. Conto com um SC Braga de orgulho ferido, um SC Braga de qualidade, como já disse, que vai querer ter a bola, porque é característico das equipas de José Peseiro querer ter a iniciativa. Espero um jogo com qualidade entre duas equipas de grande qualidade, colectiva e individual.

Mesmo com a vitória garantida (3-0) frente ao Dínamo Zagreb, o FC Porto continuou a pressionar, a atacar e a roubar a bola ao adversário. É essa a sua imagem de marca? É este o FC Porto que Vítor Pereira quer?
Nós trabalhamos para evoluir enquanto equipa e temo-lo feito. Gostamos de pressionar, de ter a bola e quando a perdemos queremos recuperá-la rápido, mas para isso é preciso ter concentração, ter um bom jogo posicional e ter agressividade. Quanto mais depressa recuperarmos a bola mais tempo teremos para realizar o nosso jogo, para ter iniciativa, para controlar a partida e ir à procura de golos. Gostamos de um jogo de posse, de pressão, somos uma equipa que gosta de fazer golos e gosta de ter o jogo equilibrado, sem permitir que o adversário nos crie oportunidades. Ao fim e ao cabo, queremos um jogo virado para a frente, em que a parte ofensiva nos agrada. Gostamos de um jogo criativo e com qualidade e não gostamos de jogos partidos ou fora de controlo. Pessoalmente, gosto de jogos controlados e não se consegue fazê-lo com muitas transições ou sem ter a bola em nossa posse.

Alex Sandro e Fernando vão ser titulares no domingo?
Essa é uma questão a que nunca respondo. Nunca, numa conferência de imprensa, respondi a esse tipo de perguntas e não é hoje que o vou fazer. Os treinadores estão cá para tomar decisões e fazer escolhas, no sentido do que é melhor para a equipa e em função do jogo que se está a preparar. Vivemos com um espírito competitivo saudável, em que todos os jogadores querem jogar. Quando não jogam, ficam tristes, mas reagem pela positiva e trabalham ainda mais para jogar. É essa a equipa que tenho à minha disposição este ano, o que me dá uma grande satisfação.

O FC Porto tem recebido muitos elogios. Considera que são unânimes?
Não acredito... Acredito muito mais no que vem de dentro, no que se sente, do que aquilo que vem de fora. Atravessei uma época de muita crítica, em que, se a força interior não fosse grande, se o que vem de dentro não fosse forte, teria de certeza desistido a meio. O verdadeiro elogio é sentirmos que estamos no caminho certo: solidários, humildes, com grande qualidade individual e colectiva; mas sabemos que qualquer adversário nos pode causar problemas se não mantivermos isto bem presente. Quando o elogio sai muitas vezes, de muita gente que tanto criticou sem conhecer, é de desconfiar. Por natureza, sou uma pessoa que acredita nos outros, mas também desconfio de muito elogio que tenho lido e ouvido por aí.

O melhor elogio ao FC Porto desta temporada é não falar de Hulk?
O melhor elogio é vermos a equipa bem e chegar ao final de cada jogo e ver os jogadores satisfeitos com o que fizeram. É claro que há jogos mais inspirados que outros, às vezes toca a um ter uma noite de inspiração e no jogo seguinte é outro jogador que se destaca, mas colectivamente a equipa está ligada, unida, sabe o que quer, e sinto claramente que tem os pés bem assentes na terra, quer nas competições europeias quer no campeonato. Este vai ser um campeonato muito difícil; domingo temos já um jogo muito difícil e temos de estar conscientes das dificuldades deste jogo e desta liga e da dificuldade que é jogar uma Champions. É essa equipa ligada à terra e ligada entre si que quero. Esse é o verdadeiro elogio.

Jorge Jesus disse esta sexta-feira que o FC Porto "tem sempre sorte em Braga". Quer comentar?
A sorte dá muito trabalho. Muito trabalho mesmo. É claro que temos de procurar a sorte, mas sem trabalho ela não surge de certeza absoluta. Se o FC Porto tem ganho em Braga é por causa do trabalho, é porque tem sido melhor, tem tido qualidade e um nível competitivo muito alto, como é característico deste clube. Isso não quer dizer que a sorte não surja, em determinados momentos, mas dá muito trabalho.

O campeonato vai decidir-se nestes jogos grandes?
O campeonato decide-se em qualquer esquina, em qualquer momento, contra qualquer adversário. Se os níveis de focalização no jogo não forem os correctos, em qualquer esquina se pode ter uma surpresa desagradável. Este é um jogo grande. O plano táctico e estratégico e a inspiração individual podem vir a fazer a diferença e espero que no AXA estejamos inspirados nesses aspectos, para proporcionar um grande jogo e trazer a vitória, que é o que nos interessa.


domingo, 11 de novembro de 2012

F.C.Porto 2-1 Académica . Moutinho faz das suas.... com um golaço!

FICHA DE JOGO

FC Porto-Académica, 2-1
Liga, nona jornada
11 de Novembro de 2012
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 31.910 espectadores

Árbitro: Hugo Pacheco (Porto)
Assistentes: João Silva e Pedro Ribeiro
Quarto árbitro: Pedro Maia

FC PORTO: Helton; Danilo, Abdoulaye, Otamendi e Mangala; Defour, João Moutinho e Lucho (cap.); James, Jackson Martínez e Varela
Substituições: Varela por Atsu (63m), João Moutinho por Castro (85m) e James por Kelvin (90m+2)
Não utilizados: Fabiano, Iturbe, Miguel Lopes e Rolando
Treinador: Vítor Pereira

ACADÉMICA: Ricardo; João Dias, João Real, Flávio (cap.) e Nivaldo; Marinho, Makelele e Keita; Cleyton, Cissé e Wilson Eduardo
Substituições: Cleyton por Ogu (63m), Marinho por Ferreira (74m) e Nivaldo por Afonso (74m)
Não utilizados: Peiser, Maguique e Saleiro
Treinador: Pedro Emanuel

Ao intervalo: 0-0
Marcadores: James (50m), João Moutinho (62m) e Wilson Eduardo (79m)
Cartão amarelo: Abdoulaye (75m), Ferreira (78m) e Ogu (83m)

 Oito meses depois, o bicampeão voltou a consentir um golo no Dragão em jogos da Liga. Curiosamente, frente ao mesmo adversário que marcara pela última vez no Porto. Mas a proeza, ou a apetência especial, não serviu de muito à Académica. Antes de Wilson Eduardo, marcaram James e João Moutinho. E depois mais ficaram por marcar, numa vitória mais clara do que a expressão do resultado (2-1).

Faltou, sobretudo, intensidade e envolvimento à primeira parte dos Dragões, porque, já então, o ataque, sendo frequente, não era suficientemente rápido para provocar desequilíbrios numa defesa, a da Académica, que depressa mecanizou movimentos de neutralização, encontrando sempre resposta às articulações preferenciais do adversário.

Por duas vezes, Jackson Martínez foi a maior ameaça. Ainda antes de atingida a dezena de minutos, o colombiano errou a direcção do “chapéu” quando Ricardo lhe saiu ao caminho e, pouco depois de ultrapassada a meia-hora, assistido por João Moutinho, preferiu o remate à meia-volta, com James mesmo ao lado e em condições de correr isolado para a baliza.

Obrigado a travar por opção do compatriota, James correria mais tarde, pouco depois do recomeço, movido por um daqueles passes de Lucho a que não se pode dizer não. Dominada a bola e à saída de Ricardo, James escolheu o lado mais difícil e marcou, entre o guarda-redes e o poste mais próximo.

Não passariam muito mais de dez minutos para a bola voltar a entrar na baliza da Académica e, curiosa e sensivelmente, pelo mesmo sítio. Desta vez, com todos os créditos do lance resumidos num único protagonista e num lance inventado e interpretado por João Moutinho: um remate preciso, desferido a mais de 20 metros, para o qual Ricardo voou, indiferente às probabilidades nulas de êxito.

Apesar de imutável, o domínio portista seria pontualmente questionado num remate de Wilson Eduardo, surgido quase do nada, mas a tempo de recuperar dúvidas e interesse com pouco mais de dez minutos para jogar, que, ainda assim, bastaram para o FC Porto repetir exercícios de superioridade, sem acrescentar novos números ou expressão a uma hegemonia que merecia maior capacidade de finalização.


Antevisão do Jogo - F.C.Porto x Académica - Liga Zon Sagres


A leitura de Vítor Pereira é simples: o jogo com a Académica é de "muito trabalho". O treinador do FC Porto reconhece ao adversário de domingo os perigos da velocidade e das transições rápidas, ambos acelerados pelos efeitos da vitória sobre o Atlético de Madrid. Mas não os teme, desde que os Dragões estejam individualmente inspirados e colectivamente ligados.

Na conferência de imprensa com que abordou, ao princípio da tarde desta sexta-feira, as dificuldades teóricas do encontro da nona jornada da Liga, o técnico portista reforçou a intenção de aprimorar e intensificar dinâmicas, sublinhou a relevância de desempenhos colectivos e abriu uma excepção para falar de um Lucho supersónico.


Adversário rápido e perigoso

"O jogo com a Académica é complicado. Mais difícil ainda, depois da vitória moralizadora que conseguiu frente ao vencedor da Liga Europa. É uma equipa especialmente rápida nas transições e que se sente mais à vontade frente a equipas como a nossa, que preferem a posse. Pode tornar-se um adversário muito perigoso, mas estamos preparados para o superar."

Jogo de muito trabalho

"Somos uma equipa muito consciente da qualidade que tem. Se não impusermos um ritmo forte, se individualmente não estivermos inspirados e colectivamente não estivermos ligados, então sentiremos grandes dificuldades para vencer. É um jogo de muito trabalho, mas sinto a equipa muito séria, empenhada e que não se deslumbra."

Sem transfer

"Não esquecemos o resultado da época passada [n.d.r.: empate a um golo], mas este ano estamos a jogar um futebol diferente, no meu ponto de vista mais consistente e, assim sendo, creio que não há muitas razões para fazer o transfer do jogo da época passada para este. Queremos, fundamentalmente, somar mais três pontos."

Kiev confirmou qualidade

"Gosto de trabalhar com plantéis curtos, mas também me posso dar a esse luxo, porque temos um departamento médico de excelência, que faz milagres. Este plantel, apesar de curto, oferece qualidade e o jogo de Kiev, que confirmou a minha antevisão, é a prova disso mesmo."

Fadiga versus confiança

"Muitas vezes, a fadiga reflecte-se muito mais no aspecto emocional do que no físico. A vitória da Académica sobre o Atlético de Madrid transmite muita confiança aos seus jogadores. Por outro lado, nós, embora não tenhamos ganho, conseguimos o apuramento para os oitavos-de-final da Champions, o que também é um bom tónico. Queremos evoluir mais na dinâmica do jogo, mas tê-lo conseguido transmite-nos a ideia de que estamos no bom caminho."

Juventude madura

"O facto de termos apresentado em Kiev a defesa mais jovem da Champions reflecte, em primeiro lugar, a capacidade que este clube tem de se renovar continuamente sem perda de resultados e rendimento. A todo o momento fabrica jogadores. Estou satisfeito com a juventude e com a maturidade revelada pelos jogadores."

O individual apoiado no colectivo

"Fico muito orgulhoso quando se fala deste ou daquele jogador, porque a equipa sustentou a sua qualidade. O jogador evidenciou-se apoiado por um colectivo. Daí a consistência com que nos apresentamos. Mas queremos mais, com dinâmicas mais fortes."

Lucho "Speedy" González

"Por questões físicas e anatómicas, o Lucho pode ser mais lento, mas, do ponto de vista mental e de capacidade de decisão, é dos mais rápidos que eu conheço. É dos que interpreta mais depressa. Para mim, é rapidíssimo. Sacrifica-se pela equipa, colocando-a acima de tudo e é natural que tenha registos desse género [n.d.r.: é o jogador do FC Porto com maior distância percorrida em quatro jornadas da Liga dos Campeões]."



sábado, 3 de novembro de 2012

F.C.Porto 5-0 Marítimo . Só deu Porto


FC Porto 5-0 CS Marítimo

Liga 2012/13, 8.ª jornada.
2 de Novembro de 2012.
Estádio do Dragão, no Porto.
Assistência: 27.609 espectadores.


Árbitro:
Cosme Machado (Braga).
Assistentes:
Alfredo Braga e Nuno Eiras.
Quarto árbitro:
Pedro Vilaça.

FC PORTO:
Helton; Danilo, Maicon, Otamendi e Mangala; Fernando, João Moutinho e Lucho (cap.); James, Jackson e Varela.
Substituições:
Fernando por Defour (28m), Maicon por Abdoulaye (32m) e Helton por Fabiano (74m).
Não utilizados:
Castro, Kleber, Miguel Lopes e Atsu.
Treinador:
Vítor Pereira.

MARÍTIMO:
Ricardo; Briguel (cap.), João Guilherme, Roberge e Rúben Ferreira; Semedo, Rafael Miranda e João Luiz; Sami, Danilo Dias e Heldon.
Substituições:
Sami por Fidelis (intervalo), Semedo por Olberdam (intervalo) e João Luiz por David Simão (70m).
Não utilizados:
Welligton, Márcio Rozário, Luís Olim e Ytalo.
Treinador:
Pedro Martins.

Ao intervalo:
2-0.
Marcadores:
Jackson (3m e 59m), Varela (35m) e James (72 e 77m).
Cartões amarelos:
Roberge (53m), Otamendi (63m), João Luiz (66m) e Danilo Dias (83m).

Na promoção do encontro frente ao Marítimo, o FC Porto prometia dança, sugerindo samba, tango ou cha-cha-cha. Acabaram por ser os ritmos colombianos a dominar o encontro (sim, porque Jackson pode ter Cha-cha-cha como apelido, mas o estilo é de origem cubana): foram quatro golos “cafeteros” e mais um português (com ascendência cabo-verdiana), de Varela. O Marítimo saiu vergado ao peso do 5-0.


O perfume do bom futebol não teve apenas perfume sul-americano: foi toda uma orquestra de bom futebol, que encantou o Dragão. A diferença de intensidade e velocidade entre as duas equipas foi por demais evidente, não parecendo sequer que estavam em campo duas formações da mesma Liga. O Marítimo não terá estado nos seus melhores dias? Certamente que sim, mas acima de tudo há que sublinhar a pressão que envolveu o adversário, num verdadeiro colete-de-forças, e a capacidade de circulação de bola e qualidade técnica dos azuis e brancos.

Vários números marcantes ajudam-nos ainda a contar a história do encontro. Com oito golos, Jackson já é o destacado melhor marcador da Liga e “factura” há sete jornadas consecutivas, um recorde dos últimos dez anos. A dupla Jackson e Varela marca há três partidas seguidas. Devido ao facto de não ter sofrido golos, prolongou-se igualmente a série invicta dos azuis e brancos no Dragão, para o campeonato: o último tento sofrido foi há oito meses, sete jogos e 682 minutos.

O primeiro golo surgiu ao minuto três, mas nem sequer foi surpreendente, tal a intensidade que o FC Porto colocou em campo desde o primeiro instante. Após uma troca de bola entre Lucho e James, o colombiano isolou Jackson, que fintou Ricardo e empurrou para a baliza deserta. Estava concretizado o primeiro, mas os Dragões não tiraram o pé do acelerador. Cinco minutos depois, Varela cruzou na esquerda, mas Lucho, em excelente posição, apenas conseguiu cabecear por cima. Aos 19, foi a vez de Danilo, num lance individual, obrigar Ricardo a uma defesa de recurso.

Adivinhavam-se mais golos e o segundo poderia ter acontecido aos 23 minutos, quando Fernando isolou Jackson, mas o árbitro assinalou um fora de jogo inexistente. Depois aconteceram as lesões de Fernando e Maicon, que, naturalmente, fizeram quebrar um pouco o ritmo de jogo. Entraram em campo Defour e Abdoulaye, que se estreou na Liga com a camisola azul e branca.

Num momento em que o ritmo portista não era tão elevado, surgiu a mestria de um artista português, com certeza. Varela ultrapassou dois adversários e efectuou um remate em arco, colocando a bola exactamente na mesma “gaveta” em que a havia metido na vitória frente ao Dínamo de Kiev. Foi um remate indefensável, a 101 quilómetros por hora. Até ao intervalo, James e Varela ainda podiam ter feito o terceiro. O Marítimo terminou a primeira parte de bandeira branca no ar, sem fôlego e atarantado.

No arranque do segundo tempo, os insulares pareceram querer dar um ar da sua graça, tentando estender mais o seu jogo. Foi mera ilusão, porque Jackson, depois de um primeiro desperdício, voltou a driblar o guardião madeirense, após passe de Moutinho, e a concretizar sem oposição. Com o 3-0, terminava qualquer dúvida sobre quem seria o vencedor da partida, mas o FC Porto não consegue abdicar da sua filosofia de jogo e conseguiu mais períodos de troca de bola absolutamente deslumbrantes.

James, após nova assistência de Moutinho, fez o 4-0, de pé direito, fazendo a bola passar por entre as pernas do guarda-redes contrário. Num lance em que acabou por ser bafejado pela sorte – já que a bola embateu no corpo de João Guilherme, enganando Ricardo – o camisola 10 faria ainda o 5-0. Antes, Fabiano estreou-se na Liga, entrado para o lugar de Helton, também por lesão. Os problemas físicos foram a única nuvem num encontro quase perfeito dos azuis e brancos.



DECLARAÇÕES

Vítor Pereira:

No final da goleada sobre o Marítimo, Vítor Pereira revelou dificuldade em escolher o melhor jogo do FC Porto na época em curso e, até, o melhor momento vivido no Dragão. Reconheceu a qualidade excepcional da exibição, estabeleceu um paralelo com a vitória sobre o PSG, mas admitiu que espera desfrutar de “coisas muito maiores”. Já nesta temporada.

Qualidade a todos os níveis
“Não há muito a dizer sobre o jogo. Fizemos um jogo de grande qualidade a todos níveis e não permitimos os momentos de transição do Marítimo, que é uma equipa perigosa. Fomos consistentes e fizemos algumas coisas que agradam a todos os que gostam de futebol. E sempre sustentado num colectivo forte.”

Treino e talento
“As jogadas dos golos, e outras, é trabalho de treino e talento dos jogadores. Quando bem combinados os dois factores, resulta em situações bonitas de se ver.”

Excepcional
“Só este ano, já vi a minha equipa a fazer várias exibições que me agradaram muito, mas posso dizer que conseguimos uma exibição excepcional, como já tinha sido aquela que nos permitiu vencer o Paris Saint-Germain. Também estivemos muito bem contra o Beira-Mar e o Guimarães.”

As lesões
“Ainda não me inteirei do grau de gravidade das lesões do Fernando, do Maicon, do Helton e do Lucho. Em breve, me debruçarei sobre o assunto e em encontrar soluções para os substituir em Kiev, se for caso disso. O grupo tem qualidade.”

Equipa mais ligada
“Espero ter momentos melhores do que este, porque, neste momento, não ganhámos nada. Mas reconheço que a equipa está mais ligada e identificada com aquilo que pretendemos. Eu estou mais experiente e não tenho problema nenhum em assumi-lo. Tudo isto faz parte de um crescimento natural. Espero vir a desfrutar, este ano, de coisas muito maiores.”



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Antevisão do Jogo - F.C.Porto x Marítimo - Liga Zon Sagres



Vítor Pereira espera um Marítimo organizado na defesa e rápido no ataque, mas diz que o FC Porto terá de saber contornar as dificuldades e ganhar o jogo agendado para as 20h15 de sexta-feira, no Estádio do Dragão. E voltou a elogiar o desempenho e empenho dos jogadores.


O que espera do Marítimo neste jogo?
O Marítimo que no ano passado fez o campeonato que fez, uma equipa bem organizada, uma equipa com jogadores velozes e técnicos na frente. Uma equipa que, de certeza, vai apresentar-se compacta, agressiva, que nos vai criar dificuldades. Este ano está perante um contexto diferente, está a disputar também as competições europeias e isso não é fácil. Não é fácil para uma equipa do nível do Marítimo manter-se em bom nível nas duas competições. Mas não tenho dúvidas nenhumas. É uma belíssima equipa, bem trabalhada, bem organizada e que nos vai criar dificuldades, mas que nós temos de contrariar. Estaremos a jogar em casa, perante os nossos adeptos, e vamos ter de contornar as dificuldades para ganhar o jogo.

Acha o Marítimo mais forte ou mais fraco do que na época passada?
A mim parece-me um Marítimo muito idêntico ao da época passada, um Marítimo bem organizado. No ano passado, o Pedro Martins foi muitas vezes elogiado pelo seu trabalho e não se desaprende do ano passado para este. O Marítimo continua a apresentar-se como uma equipa agressiva no processo defensivo e ofensivo, que aposta na velocidade dos seus atacantes. Não é um Marítimo muito diferente do ano passado, este ano trabalham sobre um contexto diferente, com jogos complicados na Liga Europa, os jogadores têm de se adaptar a esta dinâmica, e o Marítimo está a passar por esse processo.

Não lhe parece que o FC Porto tem sofrido muitos golos?
Se nós jogássemos sem adversários era mais fácil não sofrer golos, mas como temos adversários e os adversários também têm qualidade, também têm os seus argumentos e é natural que se sofram golos numa ou noutra desatenção, às vezes por mérito do adversário, outras por demérito nosso, mas isso faz parte do futebol.

Está há 20 jogos sem perder para o campeonato, isso tem algum significado?
Significa que o objectivo fundamental é somar 21, ganhando o próximo jogo, isso para mim é que é fundamental. A nossa equipa é uma equipa equilibrada, que gosta de fazer golos, mas que gosta também de manter uma dinâmica de equilíbrio. É uma equipa ambiciosa, consistente, regular, que às vezes está mais inspirada do que noutras vezes, mas em que a organização está lá, em que a identidade está lá e a equipa sabe o que quer. Estes 20 jogos são consequência disso mesmo.

Acha que a sua equipa está esta época mais forte?
Já disse que sinto a equipa mais ligada, a jogar um jogo mais trabalhado, mais colectivo, com comportamentos em termos de treino que me têm agradado muito. Competitiva, ambiciosa, porque, mais uma vez, reforço que os treinadores portugueses fazem de poucas coisas coisas grandes (não estou a falar de mim, mas dos que sem jogadores da mesma dimensão conseguem criar problemas estrategicamente aos clubes ditos grandes). Não é fácil ganhar jogos e para se ganhar é preciso estar sempre ao melhor nível. Dá muito trabalho ganhar um jogo.

Na entrega dos Dragões de Ouro disse que ainda vai fazer grandes coisas no FC Porto e que ainda não viram tudo o que seria capaz. Quer explicar o que queria dizer com isso?
Isso tem a ver comigo próprio, um desafio pessoal que vai ficar comigo. Sou extremamente ambicioso, extremamente competitivo, quero ganhar sempre, raramente fico satisfeito com aquilo que fica para trás, à procura de fazer melhor, de aprender com as experiências, aprender com o erro sem problema nenhum. A reflexão sobre o erro é que nos faz crescer, eu sei bem o que quero para a minha vida. Aquilo que eu disse tem a ver comigo, com aquilo que é pessoal, com o que tem a ver com a minha vida e nada mais do que isso.

Que lhe pareceram as declarações do presidente Pinto da Costa, que o elogiou nos Dragões de Ouro?
Nós temos que continuar a ganhar, a ter resultados, porque isto é uma competição intensa, de exposição permanente, ninguém agrada a toda a gente e o presidente, se apostou em mim, é porque viu qualidades. Não acredito que o presidente apostasse em alguém em quem não visse qualidades, que não fosse um ganhador, para comandar um clube desta dimensão. É um reforço daquilo que perspectivou quando me contratou, mas sei que o futebol faz-se de resultados e os resultados têm de continuar a surgir, melhores ainda, porque isso é um desafio pessoal. Podia ter optado por continuar nas minhas antigas funções ou ir para o estrangeiro trabalhar, mas não é isso que eu quero para a minha vida. Quanto maior o desafio, melhor para mim, mais eleva o meu foco. Preciso de sentir a pressão dos resultados, do dia-a-dia, que toda a gente coloca numa posição como esta. Decidi ter a necessidade e a obrigação de ganhar títulos.

O que acha mais provável acontecer, o Benfica ganhar três campeonatos em quatro anos ou, como disse o Maicon, o FC Porto ganhar quatro em quatro?
Sinceramente, tenho uma dificuldade muito grande em fazer futurologia e muito concretamente no futebol. Mas é natural que uma equipa como a nossa queira ganhar em quatro campeonatos em quatro anos. É natural que os nossos adversários tenham a ambição de ganhar todas as provas, todas as competições que disputam. Acho natural que a ambição seja a nossa gasolina, acho naturalíssimo, porque quem não for ambicioso não vai ganhar nada. Agora, prever que em quatro se ganham quatro ou em três se ganham dois, isso depende do trabalho de todos os dias. Ganham-se campeonatos trabalhando todos os dias, ultrapassando dificuldades, nas dificuldades evidenciando espírito de sacrifício e de entreajuda, pensar colectivamente antes de pensar individualmente. É natural que toda a gente tenha perspectivas individuais, isso é natural no ser humano, mas nunca à custa dos companheiros, mas com os companheiros, isso faz uma diferença tremenda. Eu quero o melhor para mim, mas com a minha equipa, não quero o melhor para mim à conta da minha equipa.

Acredita que o Sporting ainda lute pelo título?
Pela dimensão do clube, dimensão da sua massa adepta, pela qualidade dos jogadores que o Sporting possuiu e agora com a vinda de um novo treinador, acredito sinceramente que o Sporting ainda vai muito a tempo de recuperar posições e o futebol é mesmo assim. Um, dois, três resultados positivos mudam o estado anímico de uma equipa e os jogadores que estão a passar um momento difícil, como todas as equipas têm. De repente, começam a jogar de forma mais confiante, mais inspirada. Acho muito prematuro e muito arriscado estar a colocar o Sporting de fora da luta pelo título.


domingo, 28 de outubro de 2012

Antevisão do Jogo - Estoril x F.C.Porto - Liga Zon Sagres


Vítor Pereira teve, esta sexta-feira, uma conversa franca com os jornalistas, na conferência de imprensa de antevisão da deslocação ao Estoril (domingo, 20h15). O técnico abordou a possível estratégia do adversário e as dificuldades provocadas pelo calendário, mas a ideia forte foi outra: o FC Porto não quer abdicar do raro estatuto de liderar o grupo da Champions e a Liga portuguesa.

Que comentário lhe merece o jogo 1000 do presidente Pinto da Costa?
Mais do que o jogo 1000, importa falar de um presidente com muitas conquistas acumuladas. Se fosse o jogo 1000 sem conquistas, este número não teria valor. É uma marca que apraz registar.

Que tipo de jogo espera no Estoril?
A ideia que tenho de equipas como Estoril, Rio Ave e Gil Vicente ilustra aquilo que são as qualidades do treinador português e das equipas portuguesas de média qualidade. São formações com treinadores astutos na forma como abordam o jogo: defendem bem, de forma organizada, com muita entreajuda quando defrontam equipas de nível superior. A qualidade das acções ofensivas centra-se no momento da transição: algumas têm jogadores que exploram melhor esses momentos e que têm mais critério quando recuperam a bola. Para além disso, aproveitam os lances de bola parada. São argumentos válidos para conquistar pontos, porque quem for demagógico e não os apresentar geralmente não sobrevive. Refiro-me ao Rio Ave e Gil Vicente porque foram equipas que nos retiraram pontos com esses argumentos.
As nossas armas são a agressividade defensiva e ofensiva e o controle dos momentos de perda de bola. É importante saber controlar a profundidade, imprimir um ritmo forte na circulação de bola e criar situações de ruptura, um contra um e tabelas. São essas situações que nos permitem entrar nestas defesas compactas. Não é com um jogo lento e denunciado que se consegue desestruturar e encontrar situações de penetração em equipas que se organizam da forma como o Estoril se deve apresentar. O campo do Estoril também não é como o do Dragão e isso cria algumas dificuldades.

Não há o perigo da equipa procurar o controlo depois do 1-0 e depois sofrer com isso?
Todos temos consciência, como equipa, de que para vencer adversários como o Estoril, em sua casa, temos de estar ao nosso melhor nível. Muitas vezes, somos nós que subentendemos a gestão e o controlo; não admitimos que o adversário nos obrigou a jogar assim. A gestão e o controlo podem não ser demérito da nossa equipa e sim mérito do adversário. Noutras situações, baixar o ritmo permite ao adversário chegar sempre a tempo no fecho dos espaços, interceptar bolas que não deveria e ganhar confiança em determinados momentos. Foi isso que aconteceu com Gil Vicente e Rio Ave.

É ingrato trabalhar numa grande equipa durante a paragem das selecções?
Posso fazer-vos um retrato: trabalhamos com seis, sete ou oito jogadores e com alguns atletas da nossa equipa B. Os espaços reduzem-se. O ritmo que uma competição exigente nos dá é muito diferente, apesar de treinarmos com intensidade e competitividade. Os factores motivacionais também caem, porque há algum relaxamento. Nas selecções, aqueles que jogam mantêm algum ritmo, mas num contexto diferente. Depois, há aqueles que vão, não jogam e fazem dois ou três treinos, com a intensidade que se exige, durante duas semanas e meia. Não é fácil "cair" na Liga dos Campeões e manter o mesmo nível que vínhamos a demonstrar, durante 90 minutos.

É preciso repensar os calendários?
Sinceramente, julgo que sim.

O que tem sido mais agradável na equipa esta época, em comparação com o ano passado?
Tenho sentido uma equipa do ponto de vista afectivo mais ligada e uma receptividade ao trabalho ainda maior. Tudo isso contribui para nos mantermos no lote estrito de equipas que comandam os seus grupos na Liga dos Campeões mas também os respectivos campeonatos. Comandar na Champions sem comandar no campeonato não nos deixaria satisfeitos. Vamos procurar mantermo-nos assim.

Para além dos problemas das selecções e dos calendários, o actual estado do relvado do Dragão também prejudica a equipa?
A empresa que trata do nosso relvado é a melhor que já tive oportunidade de observar, mas tenho que admitir que no ano passado tínhamos um relvado de altíssimo nível e este ano há dificuldades. Para um jogo rápido, de qualidade e com mau tempo, não é uma situação fácil. Face ao tipo de dificuldades que os adversários nos colocam no Dragão, seria preferível ter uma relva rápida e consistente. Neste momento ainda não é possível, mas acredito que no futuro isso ainda vai acontecer.

O que o desagradou tanto no jogo da Taça frente ao Santa Eulália?
Não estou a fugir do jogo da Taça. Vou, com todo o gosto, abordar o tema quando voltarmos à Taça, até para sublinhar o mérito do Santa Eulália.

A opinião que tinha sobre o Jackson tem sido excedida pela positiva?
É preferível colocar-vos a questão, porque já o observava há muito tempo. Estão surpreendidos? O que veio ele acrescentar ao nosso jogo? Eu mantenho a mesma opinião sobre ele e já lá vão dois anos desde que o conheço.

domingo, 7 de outubro de 2012

F.C.Porto 2-0 Sporting . Golaço de Jackson lança festa no Dragão!

FC Porto 2-0 Sporting

Liga 2012/13, 6.ª jornada.
7 de Outubro de 2012.
Estádio do Dragão, no Porto.
Assistência: 38.909 espectadores.

Árbitro: Jorge Sousa (Porto).
Assistentes: Bertino Miranda e Rui Licínio.
Quarto árbitro: Renato Gonçalves.

FC PORTO: Helton; Danilo, Maicon, Otamendi e Alex Sandro; Fernando, Lucho e João Moutinho; Varela, Jackson Martínez e James.
Substituições: Maicon por Mangala (17m), Varela por Atsu (66m) e Lucho por Defour (75m).
Não utilizados: Fabiano, Castro, Kleber e Kelvin.
Treinador: Vítor Pereira.

SPORTING: Rui Patrício; Cédric, Boulahrouz, Rojo e Insúa; Cshaars, Elias, Pranjic; Izmailov, van Wolfswinkel e Carrillo.
Substituições: Izmailov por Adrien (60m), Rojo por Jeffren (75m) e Elias por Viola (85m).
Não utilizados: Boeck, Xandão, Rinaudo e André Martins.
Treinador: Oceano Cruz.

Ao intervalo: 1-0.
Marcadores: Jackson Martínez (10m) e James (84m, pen.).
Cartão amarelo: Lucho (24m), James (26m), Schaars (34m), Carrillo (40m), Fernando (40m), Izmailov (51m), Pranjic (65m), Adrien (67m), Rojo (69m e 72m), Boulahrouz (83m), Elias (83m) e van Wolfswinkel (88m).
Cartão vermelho: Rojo (72m).

Liga de regresso ao Dragão e com o primeiro clássico da Época 2012-2013. O FC Porto a receber um Sporting fragilizado após vergonhosa derrota que mais parecia de videojogos. A suceder a isso mudança de treinador que podia influenciar a atitude dos jogadores leoninos. Esperava-se um Porto digno da grande atitude que colocou no jogo da Champions a meio da semana, num 11 igual no qual Vítor Pereira entendeu não mexer.

Primeira grande oportunidade de golo para o Porto aos 7 minutos, após Jackson beneficiar de um ressalto de bola em Lucho, e isolado permite a defesa de Rui Patrício.

Estava dado o aviso para o que viria a ser realidade 3minutos depois. Construção apoiada do Porto e Danilo após movimento interior descobre Jackson solto na área e o resto é magia... o colombiano recebe de costas para a baliza e ao segundo toque de calcanhar envia a bola para o 1-0 com um golaço no Dragão, mais um.

O bom inicio do Porto ficou a dever-se novamente à enorme pressão exercida em zonas próximas da área adversária sem deixar o adversário jogar e receber com espaço. Pouco depois momento de azar para a equipa com a lesão de Maicon a obrigar à substituição por Mangala. Seria necessário ajustar e definir rapidamente rotinas com Otamendi.

Nos segundos 15 min da 1ª parte coincidindo com a saída de Maicon, o Porto baixa os indicies de pressão sobre o portador da bola permitindo ao Sporting ligar algumas jogadas ofensivas, sem no entanto criar algum perigo.

Não o costumo fazer e quem lê os meus posts sabe muito bem disso... mas faço aqui um parênteses para qualificar a arbitragem de Jorge Sousa uma vergonha no critério disciplinar, sempre prejudicando os azuis e brancos.

Até ao final da 1ª parte nada a digno de registo com o resultado justo no final dos primeiros 45’.

Reinício do encontro com os mesmos 11 de cada lado. Novamente entrada forte do Dragão em busca do 2-0 que trouxesse mais tranquilidade à equipa. Aos 55’ grande penalidade por mão na bola de Cedric e Lucho desperdiça rematando ao poste. Varela já estava a mais em campo, a complicar o jogo, raramente mudava de velocidade e não definia da melhor forma os lances ofensivos que passavam por ele. Esteve 10’ a mais em campo, pois aos 65’ temos a entrada de Atsu para o lugar do internacional português.

Com a entrada do jovem portista que tem realizado boas exibições o nosso jogo voltou a ter mais dinâmica e velocidade.

Aos 69 e 71 minutos 2 cartões amarelos para Rojo que deixou o Sporting a jogar com 10. Diga-se que justíssimos, sem contestação. Última substituição no Porto, com a saída de Lucho e entrada de Defour à passagem dos 75’. James passou a jogar numa zona mais central, mais próximo de Jackson procurando a falta de um elemento adversário nesse corredor.

Como um azar nunca vem só, nova lesão desta feita em Alex Sandro que deixava de novo o jogo 10x10. Uma exibição intermitente, a permitir ao adversário manter-se vivo no jogo.

82 minutos – momento decisivo no jogo – grande penalidade mais uma vez a dar oportunidade a James para fazer o 2-0 e este não desperdiça.

Até final o ritmo baixou, sempre com o Porto a gerir a bola até ao apito final do árbitro da partida.

Não foi um jogo de encher o olho, alguns bons momentos contra uma equipa que lutou muito na tentativa de apagar a má imagem de jogos anteriores. Num clássico o mais importante são os 3 pontos, ainda para mais mantendo-nos colados na liderança da Liga.

Melhor em campo: Jackson Martinez – pelo golo, pelo que trabalhou e pela qualidade técnica demonstrada mais uma vez.



DECLARAÇÕES

Vítor Pereira:

“Depois do jogo de quarta-feira com o Paris Saint-Germain, voltamos a ter uma partida que exigiu da nossa parte consistência do ponto de vista defensivo. Em termos ofensivos, tivemos alguns momentos de qualidade e outros em que apelámos à nossa organização. A equipa revelou isso tudo. Estou satisfeitíssimo com a equipa, a massa associativa e as nossas claques, que bem merecem este triunfo”, afirmou o treinador.

Vítor Pereira admitiu que o FC Porto entrou bem no encontro, mas que depois o Sporting o “dividiu”. “Quando criou uma ou outra situação, revelou-se o guarda-redes de grande nível que temos e que nos garante tranquilidade. Recordo-me de duas situações em que o Helton interveio bem. Depois, na parte final, se tivéssemos definido melhor as situações de finalização que tivemos podíamos ter feito mais dois ou três golos. Mas julgo que isso seria muito penalizador para o Sporting, que se bateu bem, tem qualidade e que nos obrigou a trabalhar muito”, declarou.

A propósito da entrada em campo de Atsu, Vítor Pereira elogiou a exibição do ganês mas também a de Varela, considerando ainda que os lances de grande penalidade e a expulsão de Rojo foram bem avaliados. Para além disso, referiu que preferia continuar a trabalhar com a equipa completa nos próximos dias, o que não será possível face aos compromissos das selecções nacionais.

Evitando comparações com a situação dos azuis e brancos há um ano atrás, Vítor Pereira fez uma análise sucinta. “Sinto a equipa coesa, ligada e isso satisfaz-me. Os triunfos dão-nos confiança, fazem-nos acreditar no trabalho que estamos a fazer e na nossa ideia de jogo. Evidenciámos consistência defensiva, criámos situações, marcámos algumas e deixámos golos por marcar. Queremos crescer como equipa, melhorar a nossa pressão, a capacidade defensiva e a dinâmica ofensiva”.

sábado, 6 de outubro de 2012

Antevisão do Jogo - F.C.Porto x Sporting - Liga Zon Sagres


Vítor Pereira limitou as suas considerações sobre o peculiar momento de forma do adversário mas admitiu estar à espera de um Sporting “com vontade de criar dificuldades” aos Dragões no clássico deste domingo. O objectivo do FC Porto, claro está, é contornar os obstáculos e somar mais três pontos, mas, para isso, “a equipa terá de estar ao seu melhor nível”.

O que vai pedir aos seus jogadores para este clássico?
Vou pedir aquilo que peço para todos os jogos: total concentração, qualidade e qualidade colectiva, pois aí a qualidade individual também sobressai. O colectivo tem de vir sempre em primeiro lugar.

Que tipo de Sporting espera ver no Dragão?
Não acredito, sinceramente, num Sporting que tenha dois jogos maus consecutivos e ontem, para a Liga Europa, tiveram um. Acredito que os jogadores do Sporting vêm com o orgulho ferido e vão querer mostrar que estão vivos e que têm capacidade para dar a volta a este tipo de situação. Acredito num Sporting que vem para criar problemas, uma equipa unida que vem fazer o seu jogo e procurar ganhar o jogo e criar dificuldades.

Mas não será o Sporting mais frágil dos últimos anos?
Eu como vejo o futebol como um todo não acredito na responsabilidade única dos treinadores, acredito na responsabilidade conjunta de um clube. Assim como nas vitórias a responsabilidade não é do treinador, nos momentos maus a responsabilidade não é só do treinador mas inclui o treinador. Nas vitórias e nas derrotas, nos bons e maus momentos, a responsabilidade tem de ser assumida por toda a gente, porque nos triunfos também se assumem méritos. O Sporting é um clube grande e, depois de um jogo menos conseguido lá fora, vem ferido, vem a querer dar a vida e a correr, correr, correr pelo resultado positivo.

Ainda assim, preferia um Sporting com Sá Pinto ou sem Sá Pinto?
Sinceramente, é-me indiferente. É-me indiferente porque não é um problema do meu clube nem é um problema meu. O que eu sei é que vem cá a equipa do Sporting e vem para honrar o clube, vêm feridos no seu orgulho e vêm para fazer, com certeza, um grande jogo.

Em relação a Danilo, que disse esta semana que pretendia jogar mais e de preferência no meio-campo, como responde?
Já conversamos. Ainda hoje conversamos sobre isso. Ele sabe bem o que eu pretendo dele e sabe que vai jogar onde a equipa necessitar e onde o seu treinador entender que é mais útil. Como é um jogador com qualidade e humilde, o Danilo compreende isso perfeitamente.

A equipa tem apresentado algumas oscilações de rendimento consoante os adversários e mostrou alguma apatia frente ao Olhanense, Gil Vicente e neste último jogo da liga com o Rio Ave, em contraponto com outros jogos, como o desta quarta-feira. Tem alguma explicação para essas oscilações?
Em primeiro lugar, não concordo com essa apreciação. Falou-me dos jogos com o Olhanense, Gil Vicente e Rio Ave: o Olhanense é um adversário muito agressivo, mas viemos de lá com uma vitória e só ganhamos porque fomos equipa. Não acredito que qualquer um dos ditos grandes chegue a Olhão e venha de lá com uma grande exibição e sem sentir grandes dificuldades. Quanto aos outros dois jogos, já tenho de concordar porque não fiquei nada satisfeito. Particularmente no encontro com o Rio Ave, considero que a equipa, a ganhar 1-0, não pode gerir o jogo com um resultado tão curto. O 1-0 é um resultado perigoso, que obriga à procura do segundo golo e, aí sim, permite gerir o jogo de outra forma. Em Vila do Conde não o fizemos, baixamos o ritmo e os índices de agressividade. A ganhar 1-0 deitamo-nos à sombra do resultado e fomos penalizados, do meu ponto de vista justamente.

Tem aí um problema de motivação? Nos jogos mais “a doer”, como com o PSG, o comportamento da equipa tem sido totalmente diferente...
Depende. Jogámos com o Beira-Mar e o Vitória de Guimarães e jogámos com qualidade. Se nós treinadores tivéssemos a solução para todos os problemas, se tivéssemos a palavra mágica que os fizesse jogar sempre da forma como jogaram no último jogo, esse seria o melhor treinador do mundo e teria encontrado a poção mágica para que os jogadores entrassem sempre com a mesma abordagem mental. O que eu tento fazer é colocar os jogadores dentro desse chip mental que o jogo vai obrigar, mas por vezes há correspondência e outras vezes acontecem coisas destas, que a mim - e a eles próprios também – não agrada. Temos é de trabalhar no sentido de que isto não volte a acontecer, porque quando estamos agressivos e com um ritmo forte, os adversários têm grandes dificuldades em acompanhar o nosso jogo. Se essa agressividade não for evidente e o ritmo for baixo, estamos a dar trunfos ao adversário para nos contrariar e estamos a colocar-nos a jeito porque, hoje em dia, nesta liga, todas as equipas são organizadas. Se nos colocarmos a jeito acontece o que aconteceu em Vila do Conde, sofremos dois golos de repente, dois golos que surgiram em poucos minutos e sem percebermos bem como, e fomos confrontados com um resultado negativo. Mas aí, tenho de o reforçar também, a equipa soube ser grande, soube ir atrás do resultado e conseguir o empate; mas não é uma situação que nos agrade e temos de evitá-la no futuro.

O Sporting ainda só conseguiu vencer dois jogos esta época. O FC Porto apresenta-se como claro favorito para este clássico?
Nunca vi um clássico em que houvesse um claro favorito. Clássico é clássico e as equipas motivam-se por isso e é sempre uma incógnita o que o jogo vai dar. O que eu quero ver no domingo é a minha equipa fiel a si própria, percebendo claramente quais são os seus argumentos, o seu padrão de jogo, Com as nossas ferramentas, com o nosso modelo bem definido, vamos procurar impor o nosso jogo com agressividade, defensiva e ofensivamente, e um ritmo forte. É para isso que trabalhamos neste ano e alguns meses, para jogarmos com qualidade e segundo a nossa identidade. O Sporting não vai de certeza estender a passadeira para os jogadores do FC Porto passarem alegremente. Vai ser um jogo duro, um jogo difícil e para estarmos ao nosso melhor nível para vencer.

Depois da exibição que rubricou com o PSG, James Rodríguez está numa fase de maturidade óptima?
O James, independentemente da sua qualidade, que é muita, e do seu talento – que todos podem avaliar, porque é evidente -, não joga sozinho. Gostava que fossem evidenciados, para além do James, todos os outros jogadores que contribuíram para um grande jogo. Apesar do James ter feito um golo de excelência, vi comportamentos de excelência da maioria, se não de todos os jogadores que estiveram em campo e gostava de vos ver [jornalistas] a salientar mais a equipa e outros jogadores e não o começarem a criar, como criaram com o Hulk, uma falsa dependência. Dizia-se que sem o Hulk o FC Porto não andava, não tinha pernas, não tinha qualidade e, muitas vezes, foi dessa forma que fomos buscar forças. O FC Porto não era só o Hulk nem é só o James, é uma equipa, uma equipa forte, que tem, de facto, talentos individuais que sobressaem num ou noutro jogo. Não comecem a criar uma onda, senão começo a ouvir que o FC Porto depende do James e isso é totalmente falso.

Com o PSG, o Fernando já jogou a tempo inteiro. De que forma isso foi importante para a grande exibição conseguida?
Tivemos o Fernando a tempo inteiro porque temos um departamento médico que, se não for o melhor da Europa, é, seguramente, um dos três melhores da Europa, com profissionais de grande nível. Por isso tivemos um Fernando de grande nível, que nos ajudou bastante com toda a sua qualidade.

Voltando ao Sporting, que tem menos 24 horas de descanso do que o FC Porto. Acha que isso pode influenciar o resultado do clássico?
Não, porque há mais do que tempo para preparar o jogo. Aqui, são os níveis motivacionais que vão fazer a diferença. Nenhuma equipa vai ter problemas do ponto de vista físico, porque estão habituadas a este ritmo e jogar a meio da semana, ao fim-de-semana, a meio da semana. Isso é que permite impor um ritmo mais forte nos próprios jogos e dá aos jogadores 90 minutos de ritmo elevado.

Jorge Sousa é o árbitro designado para o encontro. Que comentário lhe merece?
Eu acredito plenamente em todos os árbitros e na competência das pessoas e não acredito que um árbitro vá mal intencionado para um jogo. Agora, como eu às vezes tenho boas opções ou opções que não saem como eu pretendo, como a equipa faz grandes jogos ou jogos menos conseguidos, e é natural que o meu trabalho, o da equipa e dos jogadores seja avaliado, também é natural que eu pontualmente sinta necessidade – e espero bem que não e quanto menos, melhor – de avaliar o trabalho do árbitro, com respeito e sem colocar em causa a personalidade do homem e a honestidade da pessoa. Aí farei os meus reparos e a minha avaliação. Acho isso totalmente justo, porque é assim que eu sou avaliado vejo o meu trabalho julgado todas as semanas. Não sendo necessário fazê-lo, melhor, porque quer dizer que o árbitro foi competente e que passou à margem do protagonismo, já que o protagonismo é para os jogadores, não para os árbitros nem para os treinadores.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Agora é pensar no jogo de Domingo


Depois da grande vitória do Futebol Clube do Porto frente aos milionários do P$G com o golo da vitória a ser apontado por James Rodríguez, o Porto regressa ao trabalho para o grande clássico frente ao Sporting. Penso que são estes jogos grandes que motivam a equipa e que nos levam ao sucesso e espero que o Porto repita a exibição frente ao Sporting. James merece sem dúvida o lugar de titular deixado por Hulk, e que para nós James já começa a ser considerado um Messi ou até mesmo um Cristiano Ronaldo e veremos se Vítor Pereira começa a apostar nele e em Atsu, porque ambos são jovens e têm um potencial enorme.

É um post curtinho mas que basicamente diz tudo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ver o que está bem e o que está errado

  
Não consigo entender o que se passou com o Futebol Clube do Porto na segunda parte do jogo em Vila do Conde frente a um adversário que pensávamos ir a Vila do Conde e trazer os 3 pontos para a cidade invicta, mas o que se passou foi o contrário em que só trouxemos 1 pontinho perante um adversário que não apresentou argumentos para justificar o empate. O que lá vai agora faz parte do passado e agora o importante é pensar nos próximos dois jogos ( PSG e Sporting ) mas principalmente no PSG no qual iremos enfrentar um adversário que se reforçou muito bem no Verão e que quer atacar a Champions. Frente as milionários de Paris teremos de ser calculistas, ter alguns cuidados, arriscar quando se achar oportuno e controlar a posse de bola. Mas aí, os jogadores já sentirão esse espírito e não é preciso o treinador para os alertar porque os jogadores sabem o "papel" que têm de desempenhar dentro do campo.

PS - Não vi o jogo da equipa B, empatamos, mas ouvi dizer que voltamos a ser prejudicados com o golo do Penafiel a ser claramente em fora-de-jogo. Espero que as coisas mudem porque senão a direção do FCPorto vai ter de fazer alguma coisa.

domingo, 30 de setembro de 2012

Rio Ave 2-2 F.C.Porto. Sofremos sem necessidade nenhuma!


Rio Ave FC 2-2 FC Porto

Liga 2012/13, 5.ª jornada.
29 de Setembro de 2012.
Estádio do Rio Ave FC, em Vila do Conde.


Árbitro:
Bruno Esteves (Setúbal).
Assistentes:
Venâncio Tomé e Mário Dionísio.
Quarto árbitro:
Nuno Roque.

RIO AVE:
Oblak; Lionn, Marcelo, Nivaldo e Edimar; Tarantini, Wires e Filipe Augusto; Braga, João Tomás e Esmael.
Substituições:
Wires por Ukra (68m), Filipe Augusto por André Vilas Boas (86m) e Esmael por Vítor Gomes (90m).
Não utilizados:
Ederson, Jeferson, Diego e Del Valle.
Treinador:
Nuno Espírito Santo.

FC PORTO:
Helton (cap.); Miguel Lopes, Maicon, Otamendi e Alex Sandro; Defour, João Moutinho e Lucho; James, Jackson Martínez e Atsu.
Substituições:
Lucho por Fernando (64m), Atsu por Varela (64m) e Defour por Kleber (83m).
Não utilizados:
Fabiano, Danilo, Castro e Mangala.
Treinador:
Vítor Pereira.

Ao intervalo:
0-1.

Marcadores:
Miguel Lopes (33m), Tarantini (78m e 85m) e Jackson Martínez (89m).

Cartão amarelo:
Wires (11m), Braga (66m), Varela (69m), Tarantini (90+1m).

Antes hoje que mais tarde. É apenas a única ilação positiva que podemos tirar do jogo desta noite no Estádio dos Arcos, na vizinha Vila do Conde.


Mais uma vez, o problema reside na confiança. Mas desta feita pelo excesso dela. A equipa de Vítor Pereira passou do estado de hipo-confiança do ano transacto para o estado de hiper-confiança. Coisa estranha esta, ainda para mais depois da saída para a Rússia de um dos jogadores mais carismáticos dos últimos anos azuis e brancos.


A verdade, porém, é que a saída de Hulk está a ser encarada sem dramas, sem saudosismo, sem convulsões. Mais: o jogo da equipa está mais fluido, mais natural, mais rápido. O que, para os distraídos, pode parecer estranho, tendo em conta que o brasileiro era o jogador mais explosivo e poderoso da equipa.


Aqui há uns anos li qualquer coisa sobre o efeito que a saída de um super jogador pode ter numa equipa. Houve, aliás, quem fizesse teses académicas sobre o tema, nomeadamente - e sem surpresa - norte-americanos, baseados em resultados comparativos de equipas da NBA antes e depois da saída de uma super-estrela. A conclusão é que, não tão raras vezes como isso, a saída do astro da equipa tem efeitos positivos numa equipa, quer a nível de resultados, quer a nível exibicional. A este efeito é dado até a categoria de síndrome.
 A equipa de Vítor Pereira padece desse sintoma. Encarou demasiado e estranhamente bem a saída de Hulk e os bons jogos realizados após a sua partida descomplexaram-na, deram-lhe tranquilidade e, por consequência, uma confiança desmesurada nas suas próprias capacidades, exponenciada pelas vitórias relativamente fáceis em Zagreb e em casa frente ao Beira-Mar.

O jogo de hoje teve tudo para ser ganho de forma tranquila. O Porto foi mandão, dominador, teve a bola em seu poder a maioria do tempo... o domínio chegou a ser esmagador. Até aos 75 minutos podemos dizer que vimos um Porto com estofo de campeão. O segundo golo tardava em aparecer, é certo, mas até nós, comuns adeptos, estávamos demasiado confiantes, tal era a qualidade e superioridade apresentada pelo nosso futebol a meio-campo. A meio-campo, repito. Tanta confiança e tanta bola cegou-nos e impediu-nos de ver que na segunda parte, tirando o lance de James à trave, poucas oportunidades tivemos. Se há coisa que me irrita é um jogo à Barça...e nós hoje jogamos como eles, mas sem o nosso Messi, que já cá não está. Muito toque a meio-campo, muita tabela, muita lateralização, muito tiqui-taca, técnica a rodos, muitos duelos individuais ganhos na linha de meio-campo, mas daí para frente pouca ou nenhuma produtividade e profundidade, exceptuando uns fogachos de Atsu, o mais vertical e inconformado com a apatia dominadora dos dragões.


Essa confiança cegou até o nosso timoneiro, que vinha estando muitíssimo bem na leitura do jogo e nas substituições efectuadas. Hoje, a saída de Lucho foi um erro, como normalmente é. O argentino, mesmo quando não está ao seu melhor nível - como foi o caso, principalmente ao nível do passe - é um pêndulo e a garantia de equilíbrio da equipa. Com a vantagem mínima, a solução nunca pode passar pela saída do nosso capitão. Que tenha servido de lição.


O mais fácil, como cronista deste jogo, seria atribuir as culpas ao erro de Maicon e ao alívio (infantil) para a zona frontal de Otamendi. E o melhor de ser cronista e dispôr deste espaço é poder dizer que existe Rolando e que o seu futebol e a sua experiência fazem falta. E, já agora, poder dizer também que o clube com este desterro pouco ganha, a não ser talvez o exemplo do que pode acontecer a quem diga que quer ir embora.


Mas isso seria injusto. A equipa esteve bem na maioria do tempo, apenas lhe faltou a agressividade ofensiva na segunda parte, assim como a ambição e a raça de chegar ao segundo golo e matar o jogo, tal era a confiança nas próprias capacidades e na incapacidade do Rio Ave em criar perigo. E há que dar mérito (dentro do demérito que há em deixar inverter um resultado aparentemente controlado a poucos minutos do fim) a uma equipa que ainda encontra forças físicas e mentais para voltar ao jogo e ir a tempo de empatar a contenda, tendo no subconsciente, assumamos isso, o jogo europeu que aí vem. Pena que o árbitro não tenha visto o
penalty clamoroso sobre Kléber, caso contrário a vitória teria sido outra vez uma possibilidade.

Nota de registo, ainda, para a exibição de Miguel Lopes, com um golo e uma assistência, começando a ser difícil justificar a aposta em Danilo a titular. Ainda para mais quando se começa a comentar aqui e ali que Danilo não está motivado para ser lateral. 

 Referir também que fica desfeito o mito de James a 10. A partir da linha, a vir buscar jogo atrás, a receber a bola no meio, o rapaz joga bem em todo o lado... assim o queira e esteja motivado para tal. Com 21 anos, James tem muita carreira à sua frente para poder actuar no seu lugar de eleição, ainda para mais quando há Moutinho e Lucho, que não são nem podem ser jogadores de banco, por todas as razões e mais algumas (embora se perceba a necessidade da comunicação social em criar um caso com a posição de James Rodriguez).

E, para finalizar, Atsu. A pérola do Gana está cada dia mais desenvolto e confiante, fazendo a cabeça em água aos defesas adversários. O seu pé esquerdo é imprevisível e a sua mobilidade e sentido de baliza pode ajudar a "desmontar" esta exagerada tendência para lateralizar o jogo.


Este empate em Vila do Conde não é grave. Há empates (e mesmo derrotas) que vêm por bem. É natural que a expressão "até ao lavar dos cestos é vindima" não diga nada à carrada de brasileiros, argentinos e colombianos que este plantel tem. No entanto, Vítor Pereira tem a responsabilidade de explicar aos seus pupilos que os jogos só terminam com o apito do árbitro e que, até lá, convém que a equipa transforme em golos o domínio que demonstra. Futebol sem baliza nunca agradou aos adeptos portistas.



DECLARAÇÕES

Vítor Pereira

“Fundamentalmente depois de chegarmos à vantagem, deixamos cair um bocadinho a concentração, adormecemos um bocadinho o jogo e, nomeadamente na segunda parte, nas bolas divididas fomos pouco agressivos, não fizemos a circulação que devíamos fazer e acabamos por ser penalizados, e bem. Depois fomos atrás do prejuízo e conseguimos o empate, que é um mal menor, mas fundamentalmente pelo que produzimos nesta segunda parte não merecemos mais”.

“O que eu vi foi depois de estarmos em vantagem, uma entrada na segunda parte pouco agressiva, pouco intensa, a circular pouco a bola e a sermos penalizados. Acabamos por chegar ao 2-2, defrontamos uma boa equipa, mas fomos nós que nos colocamos à mercê do Rio Ave”.

“Pretendia voltar a ter o controlo do jogo, a ter bola, voltar a ter agressividade, porque não estávamos a ter agressividade no meio, mas não foi pelas substituições, porque o jogo já não estava a dar o que queríamos dele”.

Miguel Lopes

“Na primeira parte controlamos bem o jogo, mas na segunda parte baixamos o ritmo e isso não pode acontecer. Acordámos a tempo e evitamos a derrota, mas queríamos ganhar. Somos uma excelente equipa e um excelente grupo e isto só nos vai dar força para o próximo jogo”.