domingo, 6 de julho de 2008

Allô, Allô! Do PREC à normalidade institucional no CJ

A intenção da intentona. A aparência de legalidade dos revoltosos preocupados com a sua legitimação sem cuidarem o dever de informar primeiro os interessados a não ser pelo panfleto lido na televisão. Personagens cómicas num assunto sério demais para Madaíl permitir a usurpação do cargo de presidente – um dia o seu cargo…

Muitos confessam estar fartos das polémicas à volta do futebol. Todos estamos. Mas, sobreveio mais uma e não é possível fugir a elas. Enquanto não se esclarecerem, por muito que vos desagrade, as coisas, o futebol nunca arrumará o seu espaço próprio que agrada aos adeptos.

Há alguns, porém, que gostam da confusão. Balbúrdia é o seu modo de viver.

No rescaldo da intentona que não pode passar das intenções, pelo abortado PREC no CJ da FPF, há coisas notáveis a ponderar, porque do meio da confusão emergiu a clareza de quem tentou derrubar a legitimidade institucional: os golpistas do CJ que a meio da tarde saíram como um grupo de amigos, sem preocupações de maior, de mãos nos bolsos, quase a assobiar para o ar, para prepararem o estado de sítio alegando funcionar em nome do direito.

E é sobre isto que Madaíl e seus pares têm de se debruçar. Mas seria o cúmulo Madaíl retirar legitimidade institucional ao presidente de um órgão da FPF, porque se o percurso das intentonas se mantiver o seu lugar também pode perigar.

As reacções e os exemplos: Cunha Leal e o caso Mateus
Quem entendeu ou se achou no direito de dar explicações fê-lo e percebeu-se, no fim do dia, que o presidente do CJ mostrou ponderação e serenidade, sem cair no tom gratuito de acusações avulso.

Quem já antes era alvo de suspeição, mais agravou a situação com ataques pessoais inusitados. Afinal, não são questões legais e de Direito que estão em causa?

O assunto é sério. E gravíssimo. Mas podem escolher-se formas de o comentar, mesmo para quem está de fora.

Apanhados os factos, objectivamente e com contraditório (Gonçalves Pereira e João Abreu), recolhidas várias opiniões, podemos ficar como Dias Ferreira a lembrar as “eleições no Zimbabwe”, como eu próprio fiz; ou o sempre iluminado Cunha Leal que acha que “se o presidente sente estar a mais ou não aceita votar vencido que se vá embora”.

Esta é a doutrina do regime, de resto preconizada por Cunha Leal na Liga quando se criou o clima para o então presidente da CD da Liga, Gomes da Silva, se ir embora e Mourão e Cebola decidirem pela repescagem do Belenenses fazendo descer o Gil Vicente.

O problema é que as ideias, e as decisões quando lhes cabem, destes senhores, como dos políticos e governantes em particular, não lhes pesam no bolso. Não pode ser em vão, muitas vezes levianamente, que se despromove um clube ou se manda construir um aeroporto, quiçá mudando-o de localização quando era inabalável a convicção sobre a primeira ideia do sítio para o construir.

Os dois lados da barricada ou a barracada no CJ
Chegamos, então, ao ponto de toda a legitimidade do presidente do CJ ser posta em causa por amotinados que, julgando e acusando o chefe, põe-se a si mesmos à parte das questiúnculas. Bem pior do que na Bounty… É a lei da força. Isto feito por gente de Direito, capaz de tirar o tapete a quem compete gerir o órgão jurisdicional devidamente enquadrado por regras que o presidente faz cumprir. Quem ousa contestar isto está conivente com a sublevação.

Outras reacções podem ser de estupefacção, na generalidade, ou de gozo supremo, como o José Silva Pereira (Sou portista com orgulho) com o boneco do Astérix e do Obélix a desatarem às gargalhadas.

O caso não é para menos, admito, porque a farsa foi longe demais.

Por mim, procuro saber as razões das duas partes e de preferência conhecendo as caras dos protagonistas. Há quem diga que quem vê caras não vê corações. Mas as ‘facies’ e as intenções dos envolvidos ajudam a descobrir muito da trama.

Por fim, com as imagens televisivas conheceram-se os conselheiros do Conselho da Revolução, perdão da Justiça ou o que restará dela.

Na tv, vi um tipo sempre escondido, de olhos na ponta do nariz, enquanto um moço fininho lia um comunicado. Este, Álvaro Batista, é de Castelo Branco. Seria o vogal a quem foi confiada a presidência de uma reunião de conselheiros não convocada regulamentarmente. Isto é indesmentível.

Parece que outro conselheiro, talvez por antiguidade ou estatuto, mostrou indisposição para assumir o lugar que lhe caberia. Normalmente, em bando, há sempre quem empurre alguém para os cornos do touro. Álvaro Batista mostrou saber ler comunicados. E nada mais.

Vi mais um ou outro conselheiro e esperei saber quem identificaria o pomo da discórdia, o tal João Abreu recalcitrante. Este homem de leis não só não aceitou que o presidente do CJ não acatasse o pedido de suspeição pacense para este não votar a decisão da descida de divisão (por motivos claramente infundados de alegada promiscuidade de Gonçalves Pereira e Valentim Loureiro na Câmara de Gondomar, cuja realidade é do conhecimento público), que compete ao presidente nos termos regimentais.

Não, João Abreu achava-se no direito de questionar o presidente quando este era o “suspeito” da acção; mas achou-se ainda mais no direito de ficar, ele mesmo, acima da suspeição que sobre ele foi lançada por dois clubes, quando o presidente, no âmbito das suas competências e depois de ter trocado correspondência a propósito com ele sobre o assunto, exerceu a acção profilática de o afastar, perante a renitência deste.

É o primeiro exemplo de democraticidade do órgão, melhor de alguns dos membros do órgão. Com cara de não poder partir um prato, conta-se na Imprensa, Álvaro Batista é o primeiro a questionar o presidente. Não em termos jurídicos, mas de opinião pessoal. O assunto é entre partes, não é colegial. Álvaro Batista é um sargento que ousa iniciar a sublevação. Um filme com guião certamente pré-definido.

Aqui começou a sublevação. O presidente, desautorizado, só podia encerrar a reunião e fê-lo, uma vez mais nos termos regulamentares. Este ponto é também pacífico.

Curioso que os amotinados reclamam o seu direito de justiça e esgrimem (embora poucos) argumentos jurídicos, sem afastarem o cenário da intentona. Partem para a denúncia de situações menos claras, apresentam-se na televisão, em bando mais uma vez, e ditam sentenças que chegam ao povo quando este acorda. Pena é que o direito de informar primeiro os interessados das sentenças tenha sido subjugado ao interesse próprio de se legitimarem, tardiamente, pela tv, à procura de soldados para a sua trincheira.

As figurinhas da farsa
Hoje, ao ler os jornais, vejo a figura do João Abreu.

Desatei a rir. Já tinha visto a figura na tv, ladeando o comunicador do panfleto revolucionário convenientemente lançado a meio da noite.

Porque me ri ao identificar João Abreu nos jornais? Porque já na tv a figura, que desconhecia, me causara sorrisos.

Não rebolo a rir como o Astérix e o Obélix, mas gosto muito da série “Allô, Allô”, o René, as criadas, o “monsieur Leclerq”, a Helga, mesmo o Herr Flick, da Gestapo.

Pois, João Abreu faz-me lembrar o lacaio do oficial da Gestapo, von Smallhausen. Aquele coxo de má figura, vestido de negro como João Abreu, baixo, de óculos transparentes em armação e lentes. Estão a ver? Dá para tudo, até para herr Flick subir com as botas cardadas nas suas costas a trepar a uma carroça.

Só me posso rir. É, de facto, uma comédia, de costumes do futebol português e da má prática de certa gente.

Só João “vom Smallhausen” Abreu apareceu. Álvaro Batista, arauto do comando que lê comunicados, podia ser a Helga, fiel soldado feminino à disposição de quem manda. Os famosos cinco conselheiros são dois. Os bandos são assim. Até no Conselho de Revolução, perdão de Justiça. Fazem manobras de diversão. A gente ri-se.

5 comentários:

tiago araújo disse...

eu mudei o endereço.

Anónimo disse...

grande blogue.

dragão disse...

Tiago estou a ver que mudaste o endereço.

tiago araújo disse...

Agora o blogue começa de novo.

Zirtaev disse...
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